The Brazilian Association of Collective Health (Abrasco) has played a leading role in consolidating collective health in Brazil since its foundation. After 19 years, Abrasco's Epidemiology Committee resumed its planning with the development of the Fifth Strategic Plan for the Development of Epidemiology in Brazil (2025-2029). This plan emerged in a challenging context marked by social inequalities, scientific denialism, the COVID-19 pandemic, the climate crisis, and disinvestment in public policies, reinforcing the need to update Brazilian epidemiology. The plan's development occurred in multiple stages, including online surveys, debates, and in-person workshops. Workshop I (Brasília, 2023) identified priority challenges, and Workshop II (Rio de Janeiro, 2024) defined strategies to address them. The construction process was guided by the qualified participation of epidemiologists from all regions of the country and was based on principles of plurality, diversity, gender equity, and race/ethnicity. The plan highlights epidemiology across three thematic areas: education, research, and health policies, programs, and services. The Strategic Plan Working Group of the Epidemiology Committee, supported by the Secretariat of Health and Environment Surveillance of the Ministry of Health, led the process. This supplement of the Brazilian Journal of Epidemiology presents the Fifth Strategic Plan for the Development of Epidemiology in Brazil (2025-2029), contributions to the discussion of some central topics, and a deepening of strategic and operational dimensions. The Fifth Strategic Plan for the Development of Epidemiology in Brazil (2025-2029) presents a collective vision for the future, aiming to strengthen epidemiology as a central discipline within the field of collective health. It reaffirms its commitment to equity, social justice, and the consolidation of the Sistema Único de Saúde in Brazil. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) tem sido protagonista na consolidação da saúde coletiva no Brasil desde sua fundação. Após 19 anos, a Comissão de Epidemiologia da Abrasco retomou seu planejamento com a elaboração do V Plano Diretor para o Desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil (2025–2029). Esse plano surgiu em um contexto desafiador, marcado por desigualdades sociais, negacionismo científico, pandemia de COVID-19, crise climática e desinvestimento em políticas públicas, reforçando a necessidade de atualização da epidemiologia brasileira. A elaboração do plano ocorreu em múltiplas etapas, incluindo inquéritos online, debates e oficinas presenciais. A Oficina I (Brasília, 2023) identificou desafios prioritários, e a Oficina II (Rio de Janeiro, 2024) definiu estratégias de enfrentamento. O processo de construção foi pautado pela participação qualificada de epidemiologistas de todas as regiões do país e fundamentado em princípios de pluralidade, diversidade, equidade de gênero e raça/etnia. O plano destaca a epidemiologia em três áreas temáticas: formação; pesquisa; e políticas, programas e serviços de saúde. O Grupo de Trabalho Plano Diretor da Comissão de Epidemiologia, com apoio da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Ministério da Saúde, conduziu o processo. Esse suplemento da Revista Brasileira de Epidemiologia apresenta o V Plano Diretor para o Desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil (2025–2029), contribuições para debates de alguns temas centrais e aprofundamento de dimensões estratégicas e operacionais. O V Plano Diretor para o Desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil (2025–2029) expressa uma visão coletiva de futuro com vistas ao fortalecimento da epidemiologia enquanto disciplina central no campo da saúde coletiva e reafirma seu compromisso com a equidade, a justiça social e a consolidação do Sistema Único de Saúde no Brasil. La Asociación Brasileña de Salud Colectiva (Abrasco) ha sido protagonista en la consolidación de la salud colectiva en Brasil desde su fundación. Tras 19 años, la Comisión de Epidemiología de Abrasco retomó su planificación con la elaboración del V Plan Director para el Desarrollo de la Epidemiología en Brasil (2025–2029). Este plan surgió en un contexto desafiante, marcado por desigualdades sociales, negacionismo científico, pandemia de COVID-19, crisis climática y desinversión en políticas públicas, lo que refuerza la necesidad de actualización de la epidemiología brasileña. La elaboración del plan se llevó a cabo en múltiples etapas, incluyendo encuestas en línea, debates y talleres presenciales. El Taller I (Brasilia, 2023) identificó los desafíos prioritarios, y el Taller II (Río de Janeiro, 2024) definió estrategias de abordaje. El proceso de construcción se basó en la participación cualificada de epidemiólogos de todas las regiones del país y se fundamentó en principios de pluralidad, diversidad, equidad de género y raza/etnia. El plan destaca la epidemiología en tres áreas temáticas: formación; investigación; y políticas, programas y servicios de salud. El Grupo de Trabajo del Plan Director de la Comisión de Epidemiología, con el apoyo de la Secretaría de Vigilancia en Salud y Ambiente del Ministerio de Salud, condujo el proceso. Este suplemento de la Revista Brasileira de Epidemiologia presenta el V Plan Director para el Desarrollo de la Epidemiología en Brasil (2025–2029), contribuciones para debates sobre algunos temas centrales y profundización de dimensiones estratégicas y operativas. El V Plan Director para el Desarrollo de la Epidemiología en Brasil (2025–2029) expresa una visión colectiva de futuro orientada al fortalecimiento de la epidemiología como disciplina central en el campo de la salud colectiva y reafirma su compromiso con la equidad, la justicia social y la consolidación del Sistema Único de Salud en Brasil.
To critically summarize the key topics addressed by the working group "Epidemiology in Health Policies, Programs, and Services" during the development of the Fifth Strategic Plan for the Development of Epidemiology in Brazil (2025-2029), led by the Brazilian Association of Collective Health. A historical-contextual analysis was conducted, based on an analytical and comparative review of institutional documents, including previous versions of the Master Plans, scientific literature, and experiences accumulated within the Brazilian Unified Health System (SUS). The main themes identified were the limitations and potentialities of national health information systems, the challenges related to the production of reliable and high-quality data; the dilemmas involved in training epidemiologists with strong social and political commitments; the need to expand the scope of public health surveillance; the importance of equity-oriented evaluation processes; and the role of intersectoral and territorial articulation in strengthening the field. These discussions were framed within the context of Brazil's demographic, socioeconomic, and political-institutional transformations, highlighting the relevance of critical and ethical epidemiology committed to human rights. The Master Plans have played a strategic role in articulating science, policy, and practice, thereby consolidating epidemiology as a field of practice, a critical science, and a tool for social transformation. The Fifth Strategic Plan for the Development of Epidemiology in Brazil (2025-2029) emphasizes the necessity of innovative and intersectional approaches to overcoming structural inequalities, inequities, and forms of oppression. This contributes to strengthening the SUS and consolidating an ethical, critical, and socially committed epidemiology. Descrever criticamente os principais temas debatidos pelo grupo de trabalho Epidemiologia em Políticas, Programas e Serviços de Saúde durante a construção do V Plano Diretor para o Desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil (2025–2029), da Associação Brasileira de Saúde Coletiva. Realizou-se análise histórico-contextual baseada em revisão analítica e comparativa de documentos institucionais, considerando a trajetória das versões anteriores dos planos diretores, literatura científica e experiências acumuladas no Sistema Único de Saúde (SUS). Foram identificados como eixos centrais: as limitações e potencialidades dos sistemas nacionais de informação em saúde; os desafios relacionados à produção de dados e informações qualificadas; os dilemas da formação em epidemiologia comprometida social e politicamente; a necessidade de sentidos ampliados para a vigilância em saúde; a importância de processos avaliativos orientados pela equidade; e a articulação intersetorial e territorial como estratégia de fortalecimento do campo. O debate esteve contextualizado nas transformações demográficas, socioeconômicas e político-institucionais do país, evidenciando a relevância de uma epidemiologia crítica, ética e engajada com os direitos humanos. Os planos diretores têm desempenhado papel estratégico ao articular ciência, política e prática, consolidando a epidemiologia como campo de prática, ciência crítica e instrumento de transformação social. O V Plano Diretor reforça a necessidade de abordagens inovadoras e interseccionais, comprometidas com a superação das desigualdades, iniquidades e opressões estruturais, contribuindo para o fortalecimento do SUS e para a construção de uma epidemiologia ética, crítica e socialmente implicada.
In this essay, we discuss the challenges related to the interaction between epidemiology and health policies, programs, and services, with a particular focus on health surveillance. Although the scope of health surveillance encompasses knowledge beyond epidemiology, the use of epidemiological knowledge is paramount for enhancing the quality of its actions. We present the trajectory of the institutionalization process of health surveillance in Brazil, which culminated in the establishment of the National Health Surveillance Policy (PNVS) in 2018. The PNVS highlights a series of needs that can and should be addressed by epidemiology. These needs offer opportunities for greater interaction between epidemiology and health policies, programs, and services, but they require an update in epidemiology training models, both at the undergraduate and graduate levels, a greater appreciation for knowledge translation activities, and an improved alignment of the academic environment with advances in health surveillance policies in Brazil. Based on the analysis of Brazilian articles on health surveillance listed in the PubMed database, as well as data from research lines, projects, and theses and dissertations from graduate programs, we evaluate how the topic of health surveillance is integrated into research and graduate education in Collective Health in Brazil. We conclude this essay by discussing the contribution of the Fifth Strategic Plan for the Development of Epidemiology in Brazil (2025-2029) for strengthening health surveillance. Este ensaio discute os desafios concernentes à interação da epidemiologia com políticas, programas e serviços de saúde, com destaque para a vigilância em saúde. Ainda que o escopo dela compreenda saberes para além da epidemiologia, a utilização do conhecimento epidemiológico é elemento fundamental para a qualificação das suas ações. Apresenta-se a trajetória do processo de institucionalização da vigilância em saúde no Brasil, que culmina com a instituição da Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS) em 2018. A PNVS destaca uma série de necessidades que podem e devem ser contempladas pela epidemiologia e que oferecem oportunidades para a maior interação entre epidemiologia e políticas, programas e serviços de saúde, mas exige uma atualização dos modelos de formação em epidemiologia, seja na graduação ou na pós-graduação, uma maior valorização das atividades de tradução do conhecimento e uma maior atualização do ambiente acadêmico em relação aos avanços nas políticas de vigilância em saúde do Brasil. Com base na análise de artigos brasileiros sobre vigilância em saúde listados no PubMed e em dados de linhas, projetos de pesquisa e trabalhos de conclusão de curso de programas de pós-graduação, avalia-se a inserção do tema da vigilância em saúde na pesquisa e pós-graduação em saúde coletiva no Brasil. Conclui-se discutindo a contribuição do V Plano Diretor para o Desenvolvimento de Epidemiologia no Brasil (2025-2029) para o fortalecimento da vigilância em saúde.
To analyze individual and contextual factors associated with the use of public dental services among Brazilian older adults, using data from SB Brasil 2023. A total of 9,745 older adults were included in this cross-sectional study. The outcome was the use of public oral health services versus private services. Analyses accounted for the complex sampling design and applied multilevel logistic regression with a random intercept at the municipal level, guided by Andersen's Behavioral Model. Independent variables included predisposing factors (race/skin color, sex, and level of education), enabling factors (per capita income and oral health coverage in Primary Health Care) and need factors (edentulism and perceived need for dental treatment and prostheses). The weighted prevalence of public dental service use was 39.2% (95%CI 35.7-42.9). After adjustment, higher odds of using the public system were observed among Black (OR 1.97; 95%CI 1.60-2.40), mixed-race (OR 1.38; 95%CI 1.19-1.61), and Indigenous older adults (OR 5.16; 95%CI 2.01-13.21), as well as among those with edentulism (OR 1.44), perceived need for dental treatment (OR 1.26), and need for prostheses (OR 1.39). Living in municipalities with oral health coverage above 70% was associated with greater use of public services (OR 2.47; 95%CI 1.83-3.31). The proportion of variance attributable to the municipal level decreased from 28.3% in the null model to 16.7% in the final model. Public dental service use among older adults in Brazil is socially stratified and strongly associated with social vulnerability and oral health needs, highlighting the pro-equity role of the Brazilian Unified Health System. Analisar fatores individuais e contextuais associados ao uso de serviços públicos odontológicos entre idosos brasileiros, com base nos dados do SB Brasil 2023. Estudo transversal com 9.745 idosos. O desfecho foi a utilização de serviços públicos de saúde bucal, em oposição ao uso de serviços privados. As análises consideraram o desenho amostral complexo e utilizaram regressão logística multinível com intercepto aleatório por município, orientada pelo Modelo Comportamental de Andersen. As variáveis incluíram fatores predisponentes (raça/cor, sexo e escolaridade), facilitadores individuais e contextuais (renda per capita e cobertura de saúde bucal na Atenção Primária à Saúde) e fatores de necessidade (edentulismo, necessidade percebida de tratamento dentário e de prótese). A prevalência ponderada do uso de serviços públicos odontológicos foi de 39,2% (intervalo de confiança de 95% — IC95% 35,7–42,9). Após ajuste, observou-se maior chance de utilização do Sistema Único de Saúde (SUS) entre idosos pretos (odds ratio — OR 1,97; IC95% 1,60–2,40), pardos (OR 1,38; IC95% 1,19–1,61) e indígenas (OR 5,16; IC95% 2,01–13,21), bem como entre aqueles com edentulismo (OR 1,44), necessidade percebida de tratamento dentário (OR 1,26) e necessidade de prótese (OR 1,39). Residir em municípios com cobertura de saúde bucal superior a 70% associou-se a maior utilização do SUS (OR 2,47; IC95% 1,83–3,31). A variância atribuível ao nível municipal reduziu-se de 28,3% no modelo nulo para 16,7% no modelo final. A utilização de serviços públicos odontológicos entre idosos é socialmente estratificada e fortemente associada a vulnerabilidades sociais e necessidades em saúde bucal, evidenciando o papel pró-equidade do SUS.
In this article, we discuss the challenges and perspectives of Brazilian Epidemiology based on the reflections presented in the Fifth Strategic Plan for the Development of Epidemiology in Brazil (2025-2029). The importance of a scientific agenda committed to quality, innovation, equity, and social transformation is highlighted. We also ponder that Epidemiology must reaffirm its identity as a critical, collaborative, and socially-referenced field. Brazilian Epidemiology must carry on its mission of contributing to the response to health crises, to the reduction of health inequities, and supporting the construction of a national project of sustainable development. Together with the analysis of the significant advances achieved throughout its history, the challenges of research in Epidemiology are debated, such as the chronic underfunding of research in the country, the regional and thematic inequalities in the distribution of resources, academic productivism, the need to bring science closer to the population, and to expand the theoretical and methodological density of studies. Simultaneously, we highlight that opportunities are emerging related to the expansion of open science, the democratization of access to data, and the expansion of the social relevance of research. Este artigo discute os desafios e as perspectivas da epidemiologia brasileira com base nas reflexões apresentadas no V Plano Diretor para o Desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil (2025–2029). Destaca-se a importância de uma agenda científica comprometida com a qualidade, a inovação, a equidade e a transformação social. Também se sustenta que a epidemiologia deve reafirmar sua identidade como campo crítico, colaborativo e socialmente referenciado. A epidemiologia brasileira deve continuar com sua missão de contribuir com o enfrentamento às crises sanitárias, colaborar para a redução das iniquidades em saúde e apoiar a construção de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável. Com a análise dos avanços expressivos conquistados ao longo de sua história, debatem-se desafios da pesquisa em epidemiologia, como o subfinanciamento crônico da pesquisa no país, as desigualdades regionais e temáticas na distribuição de recursos, o produtivismo acadêmico, a necessidade de aproximar a ciência da população e de se ampliar a densidade teórico-metodológica dos estudos. Ao mesmo tempo, destaca-se que emergem oportunidades ligadas à ampliação da ciência aberta, à democratização do acesso a dados e à ampliação da relevância social das pesquisas.
To present a critical analysis of the teaching of epidemiology in graduate programs in public health in Brazil. Descriptive study in two stages, based on a documentary survey (thematic axes of the courses in graduate programs evaluated by CAPES) and a survey with a convenience sample of faculty and students from programs in the field. The evaluation focused on graduate education in public health, aiming to critically examine the curricular proposals, pedagogical practices, and institutional conditions that shape epidemiology training at this level. Important advances were identified in the teaching of epidemiology in graduate public health programs in Brazil, such as a significant number of courses offered, the consolidation of conceptual courses in academic programs, and the diversity and depth of thematic courses-particularly the topic of health services and systems, present in more than half of both academic and professional programs. Persistent challenges highlight the need to consolidate critical, consistent training that aligns with the contemporary demands of public health in the country and the Unified Health System (SUS). The reflections and actions outlined may help guide the next steps toward overcoming structures that perpetuate social inequalities and toward strengthening high-quality epidemiological training committed to transforming population health. Apresentar uma análise crítica do ensino de epidemiologia nos programas de pós-graduação em Saúde Coletiva no Brasil. Estudo descritivo com duas etapas com base em levantamento documental (eixos temáticos das disciplinas dos programas de pós-graduação avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e inquérito com amostra de conveniência de docentes e discentes dos programas da área. Optou-se por focalizar a avaliação na pós-graduação em Saúde Coletiva, com o objetivo de examinar criticamente as propostas curriculares, as práticas pedagógicas e as condições institucionais que conformam a formação da epidemiologia nesse nível. Identificaram-se avanços importantes no ensino de epidemiologia na pós-graduação em Saúde Coletiva no Brasil, como o expressivo número de disciplinas nos programas, a consolidação de disciplinas conceituais nos programas acadêmicos, a diversidade e o aprofundamento de disciplinas temáticas, destacando-se o tema serviços e sistemas de saúde, presente em mais da metade dos programas acadêmicos e profissionais. Os desafios persistentes apontam para a consolidação de uma formação crítica alinhada às demandas contemporâneas da saúde coletiva no país e do Sistema Único de Saúde. As reflexões e ações apontadas podem contribuir para orientar os próximos passos para superar estruturas que perpetuam desigualdades sociais e fortalecer uma formação epidemiológica qualificada e comprometida com a transformação da saúde das populações.
The aim of this study was to identify barriers and facilitators to smoking cessation among Brazilian cancer patients, considering the perspectives of both patients and healthcare professionals at a leading oncology center in the country. A cross-sectional study was conducted, collecting smoking-related data from two groups: cancer patients and healthcare professionals at the Barretos Cancer Hospital (BCH) between 2019 and 2021. The questionnaire for healthcare professionals was adapted from the 2012 International Association for the Study of Lung Cancer and the Global Adult Tobacco Survey. For the cancer patient group, sociodemographic and clinical data were collected, along with the smoking history and consumption patterns of current smokers. Among oncology patients, the prevalence of former smokers was found to be 37.4%, while current smokers accounted for 16.8%. Most current smokers exhibited low nicotine dependence and high motivation to quit. Key barriers reported by healthcare professionals in providing smoking cessation interventions included patient resistance (86.9%) and lack of training (64.5%). Furthermore, 52.9% of these professionals indicated that they had never discussed cessation strategies during consultations with smoking patients. Regression models revealed that physicians, compared to other professionals, were more likely to address, advise, and offer cessation treatment to smoking patients (p≤0.05). There is a need to enhance training on smoking cessation for healthcare professionals to improve clinical outcomes and survival rates among cancer patients. Identificar barreiras e facilitadores para a cessação do tabagismo entre pacientes oncológicos brasileiros, considerando as perspectivas dos pacientes e dos profissionais de saúde em um centro de referência em tratamento oncológico no país. Estudo transversal que coletou dados sobre tabagismo de dois grupos, pacientes com câncer e profissionais de saúde, do Hospital de Câncer de Barretos (HCB), durante o período de 2019 a 2021. O questionário aplicado ao grupo de profissionais de saúde foi adaptado da International Association for the Study of Lung Cancer de 2012 e do Global Adult Tobacco Survey. Para o grupo de pacientes oncológicos, foram coletados dados sociodemográficos e clínicos, além do histórico e padrões de consumo de tabaco dos pacientes fumantes. Foi observada prevalência de 37,4% de ex-fumantes e 16,8% de fumantes atuais entre os pacientes oncológicos. A maioria dos fumantes atuais apresentou baixa dependência de nicotina e alta motivação para a cessação. As principais barreiras relatadas pelos profissionais de saúde para a oferta de intervenções antitabagistas incluíram resistência dos pacientes (86,9%) e falta de treinamento (64,5%). Além disso, 52,9% desses profissionais nunca discutiram estratégias de cessação durante as consultas com pacientes fumantes. Os modelos de regressão demonstraram que os médicos, em comparação com outros profissionais, são mais propensos a abordar, aconselhar e oferecer tratamento de cessação aos pacientes fumantes (p≤0,05). Esforços devem ser direcionados para aprimorar o treinamento sobre cessação do tabagismo para profissionais de saúde, contribuindo para melhorar os resultados clínicos e a sobrevivência dos pacientes com câncer.
To estimate the incidence of tobacco use during the COVID-19 pandemic among Brazilian adults and to analyze the factors associated with initiation during this period. A cross-sectional study using data from the ConVid 2 - Pesquisa de Comportamento (ConVid 2 - Behavior Survey), conducted between July and December 2023 through virtual chain sampling. Prevalence of tobacco use before, during, and after the COVID-19 pandemic, as well as initiation during the pandemic, were assessed. Independent variables included sociodemographic characteristics, health conditions, mental health, and lifestyle factors. Prevalences and 95% confidence intervals (95%CI) were estimated, and factors associated with initiation were investigated using multivariable logistic regression. The prevalence of smoking was 10.35% before the pandemic, 15.88% during (with an incidence of 5.5% of new smokers), and 12.2% in the post-pandemic period. Higher odds of smoking initiation during the pandemic were observed among individuals not living with a partner (OR=1.44; 95%CI 1.06-1.95), those who self-identified as non-white (OR=2.20; 95%CI 1.17-4.13), those reporting worsening feelings of sadness (OR=1.65; 95%CI 1.11-2.44), and those reporting increased alcohol consumption (OR=6.51; 95%CI 2.89-14.61). Lower odds were found among residents of the Southeast (OR=0.33; 95%CI 0.13-0.79) and Northeast (OR=0.25; 95%CI 0.11-0.57) regions. These findings highlight the need for public policies targeting more vulnerable populations. Estimar a incidência do uso de tabaco durante a pandemia de COVID-19 em adultos brasileiros e analisar os fatores associados à iniciação nesse período. Estudo transversal com dados da pesquisa ConVid 2 - Pesquisa de Comportamentos, realizada entre julho e dezembro de 2023, conduzida por amostragem em cadeia virtual. Avaliaram-se prevalências de uso de tabaco antes, durante e após a pandemia de COVID-19, bem como a iniciação no período pandêmico. Variáveis independentes incluíram características sociodemográficas, condições de saúde, saúde mental e estilos de vida. Estimaram-se prevalências e IC95%, e fatores associados à iniciação foram investigados por regressão logística multivariada. A prevalência de tabagismo foi de 10,35% antes da pandemia, 15,88% durante (com incidência de 5,5% de novos fumantes) e 12,2% no pós-pandemia. Observou-se maior chance de iniciação durante a pandemia entre pessoas que não viviam com companheiro(a) (OR=1,44; IC95% 1,06-1,95), que se autodeclararam de raça/cor negra (OR=2,20; IC95% 1,17-4,13), aquelas que relataram piora nos sentimentos de tristeza durante a pandemia (OR=1,65; IC95% 1,11-2,44) e entre os que referiram aumento do consumo de bebidas alcóolicas (OR=6,51; IC95% 2,89-14,61). Menores chances foram observadas entre os residentes nas Regiões Sudeste (OR=0,33; IC95% 0,13-0,79) e Nordeste (OR=0,25; IC95% 0,11-0,57). Esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas a populações mais vulneráveis.
This essay presents the Nova food classification, a conceptual innovation of Brazilian epidemiology, describing its genesis, the scientific evidence derived from its application, and its implications for public health. Created in 2010, Nova classifies foods into four groups based on the degree of processing: unprocessed or minimally processed foods, processed culinary ingredients, processed foods, and ultra-processed foods. Since its development, several epidemiological studies have demonstrated the negative impacts of high consumption of ultra-processed foods on health, such as associations with various non-communicable diseases, including obesity, diabetes, cardiovascular diseases and mental health outcomes. In Brazil, the consumption of these foods has increased significantly in recent decades, with the caloric share of ultra-processed foods rising from 12.6 to 18.4% between 2002-2003 and 2017-2018, with this increase being more pronounced among more vulnerable socioeconomic groups. Nova underpins the recommendations of the Brazilian Dietary Guidelines and has played a crucial role in informing public policies, such as the update of the National basic food basket and the guidelines of the National School Feeding Program, which aim to limit the access to ultra-processed foods. Finally, the essay addresses the political and scientific challenges, including the need for more experimental studies to strengthen the evidence and the potential of fiscal and marketing regulation strategies that take into account the impact of food processing on health. Este ensaio apresenta a classificação de alimentos Nova, uma inovação conceitual da epidemiologia brasileira, descrevendo sua gênese, as evidências científicas derivadas de sua aplicação e suas implicações para a saúde pública. Criada em 2010, a Nova classifica os alimentos em quatro grupos com base no grau de processamento: alimentos in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários processados, alimentos processados e alimentos ultraprocessados. Desde seu desenvolvimento, diversos estudos epidemiológicos têm demonstrado os impactos negativos do consumo elevado de alimentos ultraprocessados à saúde, como a associação com diversas doenças crônicas não transmissíveis, tais como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e desfechos de saúde mental. No Brasil, o consumo desses alimentos cresceu significativamente nas últimas décadas, com a participação calórica dos ultraprocessados aumentando de 12,6 para 18,4% entre 2002–2003 e 2017–2018, sendo esse aumento mais intenso entre grupos socioeconômicos mais vulneráveis. A Nova fundamenta as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e tem desempenhado papel crucial no embasamento de políticas públicas, como a atualização da cesta básica nacional e as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar, que visam restringir o acesso a alimentos ultraprocessados. Por fim, o ensaio aborda os desafios políticos e científicos, incluindo a necessidade de mais estudos experimentais que fortaleçam as evidências e o potencial de estratégias fiscais e de regulação da publicidade que considerem o impacto do processamento de alimentos na saúde.
To analyze the prevalence of early detection tests for cervical, breast, prostate, and colorectal cancers in the population of Campinas, São Paulo and the presence of social inequalities in access. Population-based cross-sectional study using data from ISACamp 2014/15. Dependent variables were the performance of Pap smear, mammogram, prostate-specific antigen (PSA), fecal occult blood test (FOBT) and colonoscopy/sigmoidoscopy within the age ranges recommended by national guidelines. Independent variables included sex, age, schooling, income, race/skin color, and private health insurance. Prevalence and prevalence ratio adjusted for sex and age were estimated using Poisson regression. Analyses were performed using Stata 14, considering sampling weights. The prevalence of mammography (77.7%) and Pap smear (87.8%) met the targets set by the Brazilian Ministry of Health, while FOBT (22.3%) and colonoscopy/sigmoidoscopy (21.5%) showed low coverage. PSA testing in the previous three years was reported by 55.2% of eligible men. Higher prevalence of test performance was observed among individuals with higher schooling and income levels and those with private health insurance. Inequalities varied by type of test. For instance, individuals with private health insurance had 11 and 162% higher prevalence of Pap test and colonoscopy/sigmoidoscopy, respectively, compared to those without insurance. Racial inequality was observed only for mammography. The results indicate high coverage and lower inequalities for Pap and mammography, and low coverage with significant disparities for FOBT and colonoscopy/sigmoidoscopy. Findings highlight the need to monitor coverage and to implement public policies aimed at reducing inequities in access to cancer screening. Analisar a prevalência da realização de exames de detecção precoce de câncer do colo uterino, mama, próstata e colorretal na população de Campinas (SP) e a presença de desigualdades sociais no acesso. Estudo transversal de base populacional que utilizou dados do Inquérito de Saúde do Município de Campinas 2014/15. As variáveis dependentes foram a realização de Papanicolaou, mamografia, antígeno prostático específico (PSA), sangue oculto nas fezes (SOF) e colonoscopia/sigmoidoscopia, nas faixas etárias recomendadas. As variáveis independentes incluíram sexo, idade, escolaridade, renda, raça/cor da pele e plano de saúde. Estimaram-se prevalências e razões de prevalência ajustadas por sexo e idade, por meio de regressão de Poisson. As análises foram realizadas no Stata 14, considerando-se os pesos amostrais. As prevalências de mamografia (77,7%) e Papanicolaou (87,8%) atingiram as metas do Ministério da Saúde, enquanto as de SOF (22,3%) e colonoscopia/sigmoidoscopia (21,5%) foram baixas, e a de PSA nos últimos 3 anos foi de 55,2%. A prevalência de realização dos exames foi maior nos segmentos com maiores escolaridade e renda e com plano de saúde, e as desigualdades variaram conforme o exame. Pessoas com plano de saúde, por exemplo, apresentaram prevalências de Papanicolaou e colonoscopia/sigmoidoscopia, 11 e 162% maiores que as sem plano. Desigualdade por raça/cor foi observada somente na mamografia. Os resultados evidenciaram cobertura elevada e menores desigualdades para Papanicolaou e mamografia e baixa realização com importantes desigualdades para SOF e colonoscopia/sigmoidoscopia. Os achados indicam a importância do monitoramento da cobertura desses exames e a necessidade de políticas públicas que ampliem a equidade no acesso.
To analyze data from the Information System for Monitoring the Quality of Water for Human Consumption (Sisagua) to develop an environmental health indicator that assesses the risk of pesticide residues in drinking water. This is an ecological epidemiological study using retrospective data. Information on the Limit of Detection (LOD), Limit of Quantification (LOQ), and Maximum Permissible Value (MPV) of pesticide residues in drinking water, recorded by municipalities in the state of Paraná between 2014 and 2020, was analyzed. Descriptive and inferential statistical approaches were employed, including tests of association, correlation, and hypothesis testing, as well as probability analysis, through spatial and temporal analyses. A Pesticide Threshold Weighting Indicator (iPLA) was developed, with an explanatory capacity of variability greater than 77%. The risk-attributable variable was mainly related to the MPV, which received the highest weighting, while the LOD and LOQ were assigned lower weights. The iPLA demonstrated the ability to represent pesticide concentration levels in drinking water. The risk categories defined by the indicator - controlled, silent, and alert - represent a highly useful tool for public health surveillance, as they enable the identification of local drinking water risk levels to human health. Moreover, the iPLA supports public management in implementing control actions and improvements in the quality of water for human consumption. Analisar os dados do Sistema de Informação da Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) para desenvolver um indicador de saúde ambiental que avalie o risco de resíduos de agrotóxicos na água potável. Trata-se de um estudo epidemiológico ecológico, com dados retrospectivos. Foram analisadas informações sobre o limite de detecção (LD), limite de quantificação (LQ) e valor máximo permitido (VMP) de resíduos de agrotóxicos em água potável registradas pelos municípios do estado do Paraná no período de 2014 a 2020. Foram aplicadas abordagens de estatística descritiva e inferencial, incluindo testes de associação, correlação, hipóteses e probabilidade, por meio de análises espaciais e temporais. Foi desenvolvido um indicador de ponderação de limiar de agrotóxico (iPLA), com capacidade explicativa de variabilidade superior a 77%. A variável atribuível de risco está relacionada principalmente ao VMP, que recebeu maior peso, enquanto o LD e o LQ foram atribuídos com menor peso. O iPLA demonstrou capacidade de representar os níveis de concentração de agrotóxicos na água potável. As categorias de risco definidas pelo indicador - controlado, silencioso e atenção - configuram-se uma ferramenta de grande utilidade para a vigilância em saúde, pois possibilitam o reconhecimento do nível de risco da água potável local à saúde humana. Além disso, o iPLA permite que a gestão pública implemente ações de controle e melhoria da qualidade da água para consumo humano.
To analyze sociodemographic determinants associated with medical care before death from heart failure (HF) in Mexico, comparing 2019 and 2023. A retrospective cross-sectional analytical study was conducted using national mortality records from the General Directorate of Epidemiology (DGE). HF deaths (ICD-10: I50.0-I50.9) from 2019 and 2023 were selected, representing pre- and post-pandemic (COVID-19) contexts. The variables included gender, age, education, marital status, health insurance coverage, area of residence, region, place of death, and year of occurrence. Multiple logistic regression was applied to estimate odds ratios (OR) with 95% confidence intervals (95% CI). In the 2019-2023 period, 13,510 HF deaths were recorded (6,077 in 2019 and 7,433 in 2023). The probability of receiving medical care before death was 22% higher in 2023 compared to 2019 (OR 1.22; 95%CI 1.10-1.36). Medical care was more likely among individuals aged ≥80 years old, with higher educational levels, living in urban areas, and with health insurance coverage. Being male, lacking health coverage, and dying at home were associated with a lower probability of receiving medical care. The interaction between health insurance coverage and place of death revealed reduced access to medical care among individuals without social security who died at home. Substantial gaps in access to medical care persist, associated with structural and social inequalities. The post-pandemic recovery of coverage indicates a partial strengthening of the health system. Strengthening primary health care, expanding effective universal coverage, and developing strategies targeting vulnerable groups are recommended. Analizar los determinantes sociodemográficos asociados con la asistencia médica antes del fallecimiento por ICa en México, comparando 2019 y 2023. Estudio transversal retrospectivo, con enfoque analítico, basado en registros nacionales de mortalidad de la Dirección General de Epidemiología (DGE). Se seleccionaron defunciones por ICa (CIE-10: I50.0-I50.9) correspondientes a 2019 y 2023, periodos representativos del contexto pre y pospandemia (COVID-19). Las variables incluidas fueron sexo, edad, escolaridad, estado civil, derechohabiencia, área de residencia, región, sitio de defunción y año de ocurrencia. Se aplicó regresión logística múltiple para estimar odds ratio (OR) con intervalos de confianza al 95% (IC95%). En el periodo 2019-2023 se registraron 13.510 defunciones por ICa (6.077 en 2019 y 7.433 en 2023). La probabilidad de recibir asistencia médica antes del fallecimiento fue 22% mayor en 2023 en comparación con 2019 (OR 1,22; IC95% 1,10-1,36). La asistencia fue más probable en personas de 80 años o más, con mayor escolaridad, residencia urbana y derechohabiencia. Ser Hombre, no contar con cobertura médica y fallecer en el hogar se asociaron con una menor probabilidad de recibir atención. La interacción entre derechohabiencia y sitio de defunción reveló una reducción de la atención médica en quienes no contaban con seguridad social y fallecieron en el hogar. Persisten brechas sustanciales en el acceso a la atención médica asociadas con desigualdades estructurales y sociales. La recuperación de la cobertura posterior a la pandemia evidencia un fortalecimiento parcial del sistema de salud. Se recomienda fortalecer la atención primaria, ampliar la cobertura universal efectiva y desarrollar estrategias dirigidas a grupos vulnerables.
Trends in maternal mortality (MMR) and late maternal mortality ratios (LMMR) were estimated, in periods with and without H1N1 and COVID-19 pandemics, in Rio de Janeiro, Brazil, from 2009 to 2021. Ecological study of temporal trends. Data was obtained from the Mortality and Live Birth Information Systems. The annual MMR and LMMR per 100,000 live births (LB) were calculated and the trends were estimated using the joinpoint regression model. In 2009, the MMR was 103.1, reaching 152.4/100,000 LB in 2021, with an annual reduction of 3.3% (95% confidence interval - 95%CI -5.5; -1.7) until 2019 and an increase of 51.2% (95%CI 23.5; 64.5) in 2020/21. Excluding the years of the COVID-19 pandemic, it was observed that an annual decline of 3.3% and, with the concomitant exclusion of the years of the H1N1 pandemic, stability. The LMMR were 8.3 (2009) and 22.2 (2021) per 100,000 LB, with an annual growth of 28.2% (95%CI 11.8; 47.8) until 2011, remaining stationary from 2011 to 2015, followed by an increase of 11.7% until 2021; with the exclusion of the final biennium, the trend is upward (3.8%) and also with the exclusion of the initial biennium, the trend became downward (7%) until 2014 and upward (8.2%) from then on. There was a change in trend with the separate or joint incorporation of pandemic biennia: without pandemics, maternal mortality would be stationary, despite actions to prevent maternal deaths, and late maternal mortality, would be descending until 2014 and then ascending, crediting itself in part, to improving death investigation. Estimar as tendências das razões de mortalidade materna (RMM) e mortalidade materna tardia (RMMT), em períodos com e sem as pandemias de H1N1 e COVID-19, no estado do Rio de Janeiro, Brasil, de 2009 a 2021. Estudo ecológico de tendência temporal. Dados obtidos dos Sistemas de Informações sobre Mortalidade e Nascidos Vivos. Foram calculadas as RMM e RMMT anuais por 100 mil nascidos vivos (NV) e foi aplicado o modelo de regressão joinpoint para estimar a tendência. Em 2009, a RMM foi 103,1, alcançando, em 2021, 152,4/100.000 NV, com redução anual de 3,3% (intervalo de confiança de 95% — IC95% -5,5; -1,7) até 2019, e ascensão de 51,2% (IC95% 23,5; 64,5) em 2020/21. Excluindo-se os anos da pandemia de COVID-19, observou-se declínio anual de 3,3% e, com a concomitante exclusão dos anos da pandemia de H1N1, estabilidade. As RMMT foram 8,3 (2009) e 22,2 (2021) p/100.000 NV, com crescimento anual de 28,2% (IC95% 11,8; 47,8) até 2011, mantendo-se estacionária de 2011 a 2015, seguida de ascensão de 11,7% até 2021; com a exclusão do biênio final, a tendência é ascendente (3,8%) e, com a exclusão também do biênio inicial, a tendência passou a ser descendente (7%) até 2014 e a seguir ascendente (8,2%). Houve mudança de tendência com a incorporação separada ou conjunta dos biênios pandêmicos: sem as pandemias, a mortalidade materna seria estacionária, apesar das ações de prevenção do óbito materno, e a materna tardia seria descendente até 2014 e depois ascendente, creditando-se tais tendências em parte à melhoria da investigação de óbito.
To describe the methodological procedures used to collect and analyze data from an online survey carried out from July to December 2023 and to verify whether the obtained sample is representative of the Brazilian population. A cross-sectional epidemiological study was carried out through social media, using the Respondent-Driven Sampling methodology to collect information from the Brazilian adult population. For sample weighting, a post-stratification procedure was used based on sociodemographic data of the 2022 Continuous National Household Sample Survey (PNADC-2022). Prevalence estimates of chronic noncommunicable diseases, self-rated health, and health behaviors estimated in the ConVid-2 survey were compared with the estimates from the 2019 National Health Survey (PNS-2019). A total of 3,805 individuals participated in the ConVid-2 survey. When comparing sociodemographic variables from ConVid-2 with those from the PNADC, we verified very similar proportions in both surveys. Regarding chronic noncommunicable diseases, we found discrepancies only in prevalence of asthma and depression in comparison with PNS-2019. As for lifestyle habits, the percentages of current smoking, adequate leisure-time physical activity, and consumption of healthy and unhealthy foods were similar in both surveys. The greatest difference was observed in screen use after the COVID-19 pandemic. The use of the Respondent-Driven Sampling method with the inclusion of recruiter-recruitee pairs enabled us to obtain more reliable estimates. Concerning lifestyle changes and the findings of this study, we highlight the need for actions aimed at promoting healthy behaviors and achieving greater advances in the control of chronic noncommunicable diseases. Descrever os procedimentos metodológicos utilizados para a coleta e análise de dados em inquérito online realizado no período de julho a dezembro de 2023 e verificar a se a amostra alcançada na pesquisa é representativa da população brasileira. Estudo epidemiológico de corte transversal realizado pelas redes sociais virtuais, utilizando-se a metodologia Respondent-Driven Sampling (RDS) para a coleta de informações na população adulta brasileira. Para a ponderação da amostra, utilizou-se um procedimento de pós-estratificação com base nos dados sociodemográficos da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios 2022 (PNADC-2022). As prevalências de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), autoavaliação de saúde e comportamentos de saúde estimadas na ConVid-2 foram comparadas às estimativas da Pesquisa Nacional de Saúde, 2019. O total de 3.805 indivíduos participou da pesquisa ConVid-2. A comparação das variáveis sociodemográficas da ConVid-2 com as da PNADC mostrou proporções muito semelhantes nas duas pesquisas. Quanto às DCNT, a comparação com a PNS-2019 mostrou discrepâncias apenas nas prevalências de asma e depressão. Em relação aos hábitos, os percentuais de fumo atual, atividade física adequada no lazer e consumo de alimentos saudáveis e não saudáveis foram próximos nas duas pesquisas. A maior diferença ocorreu no uso de telas após a pandemia de COVID-19. O uso do método RDS com o registro dos pares recrutador-recrutado possibilitou obter estimativas mais fidedignas. As mudanças nos estilos de vida salientam a necessidade de ações voltadas à promoção de comportamentos saudáveis e ao controle das DCNT.
To analyze COVID-19 morbidity according to sociodemographic characteristics and preexisting health conditions, based on data from a survey conducted in 2023 online called "ConVid-2 Behavior Survey". This was a cross-sectional epidemiological study using the Respondent-Driven Sampling (RDS) method. Prevalence estimates and 95% confidence intervals were calculated for five COVID-19-related indicators. Logistic regression models were applied to test the hypothesis of associations between outcomes and sociodemographic characteristics. The sample included 3,805 individuals aged 18 years or older. Approximately 50% of participants had received four or more doses of the COVID-19 vaccine. The estimated prevalence of COVID-19 was 49.5%, with significant and increasing gradients by age and decreasing gradients by education level. Long COVID was identified in 32% of individuals with confirmed COVID-19, with the highest proportions among women (38.3%; OR=0.52; p=0.002), those with financial difficulties (38.9%; OR=1.68; p=0.02), and those with a chronic noncommunicable disease (36.3%; OR=1.58; p=0.03). The highest rate of hospitalization occurred among those with Long COVID (12.7%). Death of a household member due to COVID-19 was reported by 5.1% of participants. The findings revealed major socioeconomic inequalities across all indicators related to COVID-19 morbidity. Older age, preexisting health conditions, and Long COVID contributed to greater disease severity and increased hospitalization. These findings are relevant to inform public policies aimed at supporting the diagnosis and management of COVID-19-related complications within the public health system. Analisar a morbidade por COVID-19 segundo as características sociodemográficas e condições de saúde preexistentes, com base nos dados de um inquérito realizado em 2023 pela internet denominado de "ConVid-2: Pesquisa de Comportamentos". Estudo transversal epidemiológico realizado pelo método respondent driven sampling (RDS). Foram estimados as prevalências e os respectivos intervalos de confiança de cinco indicadores relacionados à COVID-19. Para testar a hipótese de associação dos desfechos com as características sociodemográficas, foram utilizados modelos de regressão logística. O total da amostra foi de 3.805 indivíduos de 18 anos ou mais. Aproximadamente, 50% dos participantes tomaram quatro doses ou mais de vacina antiCOVID-19. A prevalência estimada de COVID-19 foi de 49,5%, com gradientes significativos e crescentes para a idade e decrescentes por grau de instrução. A COVID-longa foi identificada em 32% dos indivíduos que tiveram COVID-19 confirmada, com as maiores proporções entre as mulheres (38,3%; odds ratio — OR=0,52; p=0,002), com dificuldades financeiras (38,9%; OR=1,68; p=0,02) e com alguma doença crônica não transmissível (36,3%; OR=1,58; p=0,03). O maior percentual de internação hospitalar ocorreu entre os que tiveram COVID-longa (12,7%). O falecimento de algum morador do domicílio por COVID-19 foi relatado por 5,1% dos participantes. Os achados revelaram grandes desigualdades socioeconômicas em todos os indicadores relacionados à morbidade por COVID-19. A idade avançada, as condições preexistentes de saúde e a COVID-longa interferiram na gravidade da doença e no aumento de internações. Esses achados são relevantes para fornecer subsídios às políticas públicas dirigidas aos cuidados dedicados ao diagnóstico e manejo das complicações relacionadas à COVID-19 no sistema público de saúde.
Investigate changes in alcohol consumption and the association between maternal depression and anxiety, considering the moderating effect of social isolation during the COVID-19 pandemic, using a population-based cohort from Brazil. Data were obtained from the WebCovid-19 study, a web-based follow-up of the 2019 Rio Grande (RS), Brazil, birth cohort, with 1,077 and 1,033 postpartum women participating in waves I and II, respectively. Changes in maternal alcohol consumption were self-reported, while depression and anxiety were assessed using the Edinburgh Postnatal Depression Scale and the Generalised Anxiety Scale. Crude and adjusted negative binomial regression was conducted, including tests for moderation by social isolation. Of the 781 mothers included, 57.3% reported staying home ≥5 days in the last week, and 5.0% increased alcohol consumption during the pandemic. Median depression and anxiety scores were 8.0 (interquartile range - IQR 3-13) and 6.0 (IQR 3-10), respectively. Mothers who increased alcohol consumption had a 5-point (95% confidence interval - 95%CI 3.0-7.0) and 4.2-point (95%CI 2.6-5.9) increase in depression and anxiety scores, respectively. Social isolation duration did not significantly modify the effect of alcohol consumption on mental health. Increased alcohol consumption during the pandemic was associated with higher depression and anxiety scores. The hypothesised moderating effect of longer isolation on this association remains a possibility. Investigar as mudanças no consumo de álcool e a associação com depressão e ansiedade materna, considerando o efeito moderador do isolamento social durante a pandemia de COVID-19, utilizando uma coorte populacional do Brasil. Os dados foram obtidos do estudo WebCovid-19, um acompanhamento baseado na web da coorte de nascimentos de 2019 do Rio Grande (RS), Brasil, com 1.077 e 1.033 mães participantes nas ondas I e II, respectivamente. As mudanças no consumo de álcool materno foram autorrelatadas, enquanto depressão e ansiedade foram avaliadas por meio da Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo e da Escala de Ansiedade Generalizada. Foram realizadas regressões binomiais negativas brutas e ajustadas, incluindo testes para moderação pelo isolamento social. Das 781 mães incluídas, 57,3% relataram ficar em casa ≥5 dias na última semana, e 5,0% aumentaram o consumo de álcool durante a pandemia. As medianas dos escores de depressão e ansiedade foram 8,0 (IQR 3–13) e 6,0 (IQR 3–10), respectivamente. Mães que aumentaram o consumo de álcool apresentaram aumento de 5 pontos (IC95% 3,0–7,0) e 4,2 pontos (IC95% 2,6–5,9) nos escores de depressão e ansiedade, respectivamente. A duração do isolamento social não modificou significativamente o efeito do consumo de álcool na saúde mental. O aumento do consumo de álcool durante a pandemia foi associado a escores mais elevados de depressão e ansiedade. O efeito moderador hipotetizado do isolamento prolongado nessa associação permanece uma possibilidade.
The aim of this study was to analyze road traffic mortality patterns during pre-pandemic, pandemic, and post-pandemic periods in Campinas, Brazil. This is a retrospective observational study conducted in Campinas from 2019 to 2023, analyzing 17,726 road traffic crashes with 406 deaths, using databases from the Campinas Municipal Development Company and São Paulo State Traffic Accident Information System. Multivariate logistic regression analysis was performed to identify independent risk factors associated with road traffic deaths. Risk factors analyzed included alcohol consumption, nighttime driving, gender, crash location, vehicle type, and weekend occurrence. Chi-square tests were used to compare proportions across periods. Despite a 32.0% reduction in traffic volume, mortality rates increased from 10.46 to 13.76 per 100,000 inhabitants, with a 26.7% increase in years of potential life lost. The frequency of road traffic deaths increased from one death every 2.9 days to one every 2.0 days. Speeding was the main contributing factor for violations, representing 67% during the pandemic period. The highest risk emerged from the combination of alcohol consumption, speeding, and nighttime driving. Motorcyclists accounted for 43.1% of deaths, increasing to 47.0% in the post-pandemic period. A pandemic paradox emerged where reduced traffic led to increased mortality. Risk behaviors established during the pandemic became entrenched rather than temporary, particularly affecting young male motorcyclists. Analisar os padrões de mortalidade no trânsito durante os períodos pré-pandêmico, pandêmico e pós-pandêmico em Campinas, Brasil. Estudo observacional retrospectivo realizado em Campinas entre 2019 e 2023, analisando 17.726 sinistros de trânsito, com 406 óbitos, utilizando bancos de dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas e Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo. Foi realizada análise de regressão logística multivariada para identificar fatores de risco independentes associados aos óbitos decorrentes de sinistros de trânsito, como alcoolemia, período noturno, gênero, localização da via, tipo de veículo e final de semana. Testes ꭓ2 foram utilizados para comparar proporções entre os períodos. Apesar da redução de 32,0% no volume de tráfego, as taxas de mortalidade aumentaram de 10,46 para 13,76/100.000 habitantes, com elevação de 26,7% nos anos potenciais de vida perdidos. A frequência de colisões com vítimas fatais aumentou de uma morte a cada 2,9 dias para uma a cada 2,0 dias. O excesso de velocidade constituiu o principal fator contribuinte das infrações, representando 67% no período de pandemia. Os maiores risco emergiram da combinação entre consumo de álcool com direção noturna e excesso de velocidade. Motociclistas representaram 43,1% dos óbitos, aumentando para 47,0% no período pós-pandêmico. Emergiu um paradoxo pandêmico onde a redução do tráfego conduziu ao aumento da mortalidade. Comportamentos de risco estabelecidos durante a pandemia tornaram-se permanentes ao invés de temporários, afetando particularmente motociclistas jovens do sexo masculino.
To estimate the mortality attributable to passive smoking in the population aged 35 years old and older, by gender, in the 27 Brazilian state capitals, from 2009 to 2021. A prevalence-dependent method was used, based on the calculation of population attributable fractions (PAF). Deaths from diseases causally related to passive smoking were obtained from the Mortality Information System of the Brazilian Unified Health System (SIM/SUS); prevalence data were taken on SHS exposure were obtained from Vigitel surveys (2009-2021); and relative risks were obtained from a meta-analysis. Mortality attributable to passive smoking and mortality rates were estimated by capital city, year, gender, and cause of death. Trends in crude mortality rates attributable to passive smoking were analyzed using joinpoint regression models. Passive smoking accounted for 64,913 deaths in all Brazilian state capitals between 2009 and 2021. Cardiovascular diseases were the main cause of death in both genders. The mortality rate attributed to passive smoking decreased from 33.1/100,000 deaths in 2009 to 15.4/100,000 deaths in 2021. This reduction was observed in all 27 Brazilian state capitals, both overall and by gender. Passive smoking was responsible for 1.4% of all deaths in Brazil during the period 2009-2021 and showed a favorable trend, with rates decreasing by half during the period. Estimar a mortalidade atribuível ao tabagismo passivo na população de 35 anos ou mais, por sexo, nas 27 capitais brasileiras, no período de 2009 a 2021. Utilizou-se um método dependente de prevalência, baseado no cálculo de Frações Atribuíveis à População (FAP). As mortes por doenças causalmente relacionadas ao tabagismo passivo foram obtidas do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Sistema Único de Saúde (SIM/SUS); a prevalência, dos inquéritos do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel, 2009-2021); e os riscos relativos, de uma metanálise. A Mortalidade Atribuível (MA) ao tabagismo passivo e suas taxas foram estimadas por capital, ano, sexo e causas de morte. As tendências das taxas brutas de mortalidade atribuível ao tabagismo passivo foram analisadas aplicando modelos de regressão joinpoint. O tabagismo passivo foi responsável por 64.913 mortes em todas as capitais brasileiras entre 2009 e 2021. As doenças cardiovasculares foram a principal causa de morte em ambos os sexos. A taxa de MA ao tabagismo passivo diminuiu de 33,1/100 mil mortes em 2009 para 15,4/100 mil mortes em 2021. Essa redução foi observada em todas as 27 capitais brasileiras, tanto de forma global quanto por sexo. O tabagismo passivo foi responsável por 1,4% de todas as mortes nas capitais brasileiras no período de 2009 a 2021 e apresentou uma tendência favorável, com as taxas diminuindo pela metade ao longo do período.
The aim of this study was to estimate the impact of deaths of despair (DoD) on life expectancy at birth and by sex in Brazil in 2019, as well as the contribution of different age groups to this loss. We used life tables from the Brazilian Institute of Geography and Statistics and cause-specific mortality data by age and sex from the Mortality Information System. A cause-deleted life table methodology was applied, assuming independence between DoD and other causes of death. The difference in life expectancy with and without DoD was decomposed by age using Arriaga's method. DoD included deaths from suicide, intentional or accidental poisoning, and mental and behavioral disorders due to substance use. In 2019, there were 23,391 DoD in Brazil (1.73% of all deaths), 89% of which were due to suicide. Removing these deaths would increase life expectancy by 0.43 years for men and 0.12 years for women, with men experiencing a 3.5 times greater impact. The 35-49 age group had the highest relative contribution, especially among men, where DoD accounted for up to 9.7% of the loss in life expectancy. The impact was more concentrated and earlier in men and more diffuse among women. Although lower in absolute numbers, DoD have a measurable impact on life expectancy, especially among young men. These findings highlight the need for public policies focused on suicide prevention and addressing the social determinants that sustain despair. Estimar o impacto das mortes por desespero (DoD) na expectativa de vida ao nascer e por sexo no Brasil em 2019, bem como a contribuição das diferentes faixas etárias para essa perda. Foram utilizados tábuas de vida do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e dados de mortalidade por causa, idade e sexo do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Aplicou-se a metodologia de tábuas de vida com causas deletadas (cause-deleted life table), assumindo-se independência entre DoD e outras causas. A diferença na expectativa de vida com e sem DoD foi decomposta por idade com base no método de Arriaga. Consideraram-se como DoD os óbitos por suicídio, intoxicações intencionais ou acidentais e transtornos mentais e comportamentais relacionados ao uso de substâncias. Em 2019, ocorreram 23.391 mortes por desespero no Brasil (1,73% dos óbitos), sendo 57,8% por suicídio. A retirada dessas mortes das tábuas aumentaria a expectativa de vida em 0,43 anos para homens e 0,12 anos para mulheres — o impacto seria 3,5 vezes maior entre os homens. O grupo etário de 35-49 anos apresentou maior contribuição relativa, com destaque para homens, com essas mortes representando até 9,7% do impacto na expectativa de vida. O impacto é mais concentrado e precoce nos homens e mais difuso nas mulheres. As mortes por desespero, embora em menor número absoluto, têm efeito mensurável na expectativa de vida, sobretudo entre homens jovens. Esses resultados reforçam a importância de políticas públicas voltadas à prevenção de suicídio e ao enfrentamento dos determinantes sociais que sustentam o desespero.
Many health-related phenomena can be better understood when the geographic region in which they occur is taken into account. One of the most important aspects to consider in spatial study designs is the presence of autocorrelation in observations measured across space. If this spatial dependence is not properly modeled, the resulting statistics may be biased, compromising the validity of conclusions regarding the presence or absence of associations. Methodologies developed based on the linear regression model allow this dependence to be adequately accommodated, producing precise, robust, and unbiased estimates. With the aim of highlighting the applicability of spatial models and pointing out the necessary precautions in data analysis, this article describes, step by step, one of the most commonly used methodologies for spatial data analysis, as well as the measures to be taken to avoid modeling errors and distortion of results. The linear regression model is presented, along with procedures to evaluate model fit, the most commonly used measure to detect spatial dependence, and two autoregressive models frequently applied to model this dependence (SAR and SEM). An application example is provided using the GeoDa and R software. Muitos fenômenos em saúde podem ser melhor compreendidos se considerada a região geográfica em que ocorrem. Um dos pontos mais importantes a ser considerado em delineamentos espaciais é a presença de autocorrelação em observações medidas ao longo do espaço. Se esta dependência não for adequadamente modelada, as estatísticas obtidas poderão ser viesadas, comprometendo a validade de conclusões sobre a presença ou ausência de associações. Metodologias desenvolvidas com base no modelo de regressão linear permitem acomodar adequadamente essa dependência, gerando estimativas precisas, robustas e não viesadas. Com o objetivo de ressaltar a aplicabilidade de modelos espaciais e apontar os cuidados necessários na análise dos dados, este artigo descreve, passo a passo, uma das metodologias mais comumente utilizadas para a análise de dados espaciais, bem como os cuidados a serem tomados para evitar erros na modelagem e distorção dos resultados. São apresentados o modelo de regressão linear, os procedimentos para avaliar a qualidade do ajuste, a medida mais utilizada para detectar a presença de dependência espacial e dois modelos autorregressivos comumente aplicados para modelar esta dependência (SAR e SEM). Um exemplo de aplicação é apresentado, utilizando-se os softwares GeoDa e R.