Home hemodialysis (HHD) has been increasingly consolidated worldwide as an effective modality of kidney replacement therapy (KRT), associated with greater autonomy, flexibility, and quality of life for patients, in addition to allowing individualized prescriptions with more frequent and/or longer sessions. Despite evidence demonstrating survival rates equal to or superior to those of in-center hemodialysis, HHD remains underutilized globally, including in Brazil. Limiting factors include structural, logistical, financial, and cultural barriers, as well as the absence of specific national regulations. This document presents the position of the Brazilian Society of Nephrology (SBN) on HHD, establishing recommendations for patient eligibility, home and dialysis center selection criteria, responsibilities, and technical safety requirements. Two HHD models are described: the self-care modality, in which patients perform the treatment on their own after intensive and strict training, and the assisted modality, carried out with the continuous presence of a healthcare professional. The position emphasizes the need for an associated dialysis center, structured training, safety protocols, continuous monitoring, and emergency backup. Key aspects such as water quality, supply chain logistics, waste disposal, and environmental sustainability are considered essential. The SBN advocates that adherence to HHD should result from shared decision-making between patients, families, and the multidisciplinary team, formalized through an informed consent document. This position aims to support policies, adequate funding, and regulatory adjustments to enable the practice of HHD in Brazil, ensuring care quality, equity of access, and the safety of patients and professionals involved. A hemodiálise domiciliar (HDD) tem se consolidado mundialmente como modalidade eficaz de terapia renal substitutiva (TRS), associada a maior autonomia, flexibilidade e qualidade de vida dos pacientes, além de possibilitar prescrição individualizada com sessões mais frequentes e/ou de maior duração. Apesar de estudos demonstrarem sobrevida igual ou superior à da hemodiálise em clínicas, a HDD permanece subutilizada globalmente, incluindo no Brasil. Entre os fatores limitantes, destacam-se barreiras estruturais, logísticas, financeiras e culturais, além da ausência de regulamentação nacional específica. O presente documento expõe o posicionamento da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) sobre a HDD, estabelecendo recomendações para elegibilidade de pacientes, critérios de seleção do domicílio, responsabilidades e requisitos técnicos de segurança. Dois modelos de HDD são descritos: a modalidade de autocuidado, em que o paciente realiza sozinho o tratamento após treinamento intensivo e rigoroso, e a modalidade assistida, realizada sempre com apoio presencial de um profissional de saúde. Este posicionamento reforça a necessidade de vínculo com centro de diálise, treinamento estruturado, protocolos de segurança, monitoramento contínuo e retaguarda de urgência. Aspectos como qualidade da água, logística de insumos, descarte de resíduos e sustentabilidade ambiental são considerados fundamentais. A SBN defende que a adesão à HDD deve resultar de decisão compartilhada entre paciente, familiares e equipe multiprofissional, formalizada por meio de um termo de consentimento livre e esclarecido. O posicionamento busca subsidiar políticas, financiamento adequado e ajustes regulatórios que viabilizem a prática da HDD no Brasil, assegurando qualidade assistencial, equidade de acesso e preservação da segurança de pacientes e profissionais envolvidos.
Severe hyponatremia (sodium ≤ 120 mmol/L) poses significant clinical risks, including encephalopathy and seizures, but inadvertent rapid correction may cause osmotic demyelination syndrome (ODS). Current guidelines recommend limiting sodium correction to ≤8 mmol/L per 24 hours to minimize ODS risk. However, recent studies suggest that overcorrection may not directly contribute to mortality and could even be associated with improved outcomes. This retrospective cohort study included 362 patients with severe hyponatremia admitted to two Brazilian tertiary hospitals. Overcorrection was defined as a serum sodium increase >8 mmol/L in 24 hours or >18 mmol/L in 48 hours. Multivariate logistic regression and propensity score-weighted analyses were used to identify predictors and outcomes associated with overcorrection. Overcorrection occurred in 38.7% of patients whereas ODS occurred in only one patient (0.28%). Independent predictors of overcorrection included younger age, lower admission sodium levels, and higher volumes of 0.9% NaCl administered in the emergency room; cancer diagnosis and furosemide use were protective factors. Overcorrection was associated with lower in-hospital mortality and shorter hospital stays, even in propensity score-weighted multivariate analyses. However, a detailed review of mortality cases revealed no direct causal link between the rate of sodium correction and death. Overcorrection of severe hyponatremia was common and associated with better clinical outcomes, without a significant increase in the risk of ODS. However, given the observational nature of this association, randomized controlled trials are needed before the current guidelines for correction rate can be reconsidered. Hiponatremia grave (sódio ≤120 mmol/L) representa riscos clínicos significativos, incluindo encefalopatia e convulsões. A correção rápida inadvertida pode causar síndrome de desmielinização osmótica (SDO). Diretrizes atuais recomendam limitar correção de sódio a ≤8 mmol/L por 24 horas para minimizar o risco de SDO. Entretanto, estudos recentes sugerem que a hipercorreção pode não contribuir diretamente para mortalidade estando, inclusive, associada a melhores desfechos. Estudo de coorte retrospectivo incluindo 362 pacientes com hiponatremia grave internados em dois hospitais terciários brasileiros. Definiu-se hipercorreção como aumento do sódio sérico >8 mmol/L em 24 horas ou >18 mmol/L em 48 horas. Utilizou-se regressão logística multivariada e análises ponderadas por escore de propensão para identificar preditores e desfechos associados à hipercorreção. Hipercorreção ocorreu em 38,7% dos pacientes, enquanto SDO em apenas um (0,28%). Preditores independentes de hipercorreção incluíram idade mais jovem, menores níveis de sódio na admissão e volumes maiores de NaCl 0,9% administrados nos serviços de emergência; diagnóstico de câncer e uso de furosemida constituíram fatores protetores. A hipercorreção foi associada a menor mortalidade hospitalar e internações mais curtas, mesmo em análises multivariadas ponderadas por escore de propensão. Contudo, uma revisão detalhada dos casos de mortalidade não revelou relação causal direta entre taxa de correção de sódio e óbito. A hipercorreção da hiponatremia grave foi comum e associada a melhores desfechos clínicos, sem aumento significativo do risco de SDO. Entretanto, dada a natureza observacional dessa associação, são necessários ensaios clínicos randomizados antes que diretrizes atuais para taxa de correção possam ser reconsideradas.
The main tools for making clinical decisions based on efficient use of resources are economic evaluation studies that allow the assessment of both the costs and benefits of different therapeutics, with appropriate guidelines for preparing reports. This study aimed to develop a checklist of consumable cost elements to be considered in estimates for micro-costing studies in peritoneal dialysis (PD). Four stages were conducted, followed by data analysis and interpretation. Three stages were carried out to develop the direct cost elements questionnaire: 1st - designing the first version of the checklist; 2nd - evaluating and expanding it using the Delphi method; 3rd - conducting two expert panels; and 4th - applying the questionnaire to professionals from 18 Latin American countries. Inclusion criteria: professionals with at least one year of clinical and/or administrative experience in PD. A discrete probability distribution adjustment was performed. Distribution lots were considered according to the category of cost elements for each country. The maximum likelihood estimation method was applied, and the statistical classification of the adjustments was assessed using the Akaike Information Criterion. A total of 596 questionnaires, comprising seven dimensions and 41 elements, were validated. From the results of each batch, it was possible to segment the elements into three choice options, with the probability of evaluating an element as very important, thus allowing for the classification of the cost elements. The checklist favors more equitable economic dimensioning in comparative studies, making it possible to compare economic values in PD across countries, while considering the appropriate cost elements. As principais ferramentas para a tomada de decisões clínicas baseadas no uso eficiente de recursos são estudos de avaliação econômica que permitem avaliar tanto os custos quanto os benefícios de diferentes terapêuticas, com diretrizes adequadas para a elaboração de relatórios. Este estudo teve como objetivo desenvolver um checklist de elementos de custo de consumo a serem considerados em estimativas para estudos de microcusteio em diálise peritoneal (DP). Foram trabalhadas quatro etapas, seguidas de análise e interpretação dos dados. Três etapas foram realizadas para o desenvolvimento do questionário de elementos de custo direto: 1ª – elaboração da primeira versão do checklist; 2ª – avaliação e expansão com a aplicação do método Delphi; 3ª – realização de dois painéis de especialistas; e 4ª – aplicação do questionário a profissionais de 18 países latino-americanos. Critérios de inclusão: profissionais com pelo menos um ano de experiência clínica e/ou administrativa em DP. Foi realizado um ajuste por distribuição de probabilidade discreta. Foram considerados lotes de distribuição por categoria de elementos de custo por país. Aplicou-se o método de estimação por máxima verossimilhança, e a classificação estatística dos ajustes foi estimada utilizando o Critério de Informação de Akaike. Foram validados 596 questionários, com sete dimensões e 41 elementos. A partir dos resultados de cada lote, foi possível segmentar os elementos em três opções de escolha, com probabilidade de avaliar um elemento como muito importante, classificando assim os elementos de custo. O checklist favorece um dimensionamento econômico mais equitativo em estudos comparativos, possibilitando a comparação de valores econômicos em DP entre países, considerando os elementos de custo adequados.
In January 2026, the new Dietary Guidelines for Americans were released, generating substantial international debate. Unlike previous editions, these guidelines were not primarily based on the report of the Dietary Guidelines Advisory Committee but on an independent scientific review, a process that raised concerns regarding transparency and potential conflicts of interest. This article critically examines the main recommendations of the new Dietary Guidelines for Americans, with particular emphasis on their implications for metabolic, cardiovascular, and kidney health. While the guidelines appropriately emphasize the reduction of ultra-processed food consumption and the promotion of minimally processed foods, several inconsistencies with contemporary scientific evidence are identified. Key concerns include the use of an outdated inverted food pyramid, a strong emphasis on high-protein intake (1.2-1.6 g/kg/day) predominantly from animal sources, and an internal contradiction between recommended protein intake and limits on saturated fat consumption. The proposed dietary pattern may also inadequately support gut microbiota health due to relatively low recommendations for fruits, vegetables, and whole grains. These issues may also be relevant to nephrology, given the growing popularity of high-protein diets and their potential renal implications. Overall, while the guidelines contain positive elements, their scientific coherence and alignment with established evidence-based dietary patterns remain questionable, potentially limiting their effectiveness as a public health tool. Em janeiro de 2026, foram publicadas as novas Diretrizes Alimentares para Americanos, gerando amplo debate internacional. Diferentemente de edições anteriores, essas diretrizes não se basearam prioritariamente no relatório do Dietary Guidelines Advisory Committee, mas em uma revisão científica independente, pro­cesso que levantou preocupações quanto à transparência e a possíveis conflitos de interesse. Este artigo analisa criticamente as principais recomendações das novas Diretrizes Alimentares para os Americanos, com ênfase em suas implicações para a saúde metabólica, cardiovascular e renal. Embora as diretrizes enfatizem adequadamente a redução do consumo de alimentos ultraprocessados e a promoção de alimentos minimamente processados, são identificadas diversas inconsistências em relação às evidências científicas contemporâneas. Destacam-se o uso de uma pirâmide alimentar invertida e desatualizada, a forte ênfase na ingestão elevada de proteínas (1,2–1,6 g/kg/dia), predominantemente de origem animal, e a contradição interna entre a recomendação de ingestão proteica elevada e a limitação do consumo de gorduras saturadas. O padrão alimentar proposto também pode ser inadequado para a saúde da microbiota intestinal, devido às recomendações rela­tivamente baixas de frutas, verduras e grãos integrais. Esses aspectos podem também ser relevantes para a nefrologia, considerando a crescente popularidade de dietas hiperproteicas e seus potenciais efeitos renais. Em conjunto, embora as diretrizes apresentem pontos positivos, sua coerência científica e seu alinhamento com padrões alimentares baseados em evidências consolidadas perma­necem questionáveis, o que pode limitar sua efetividade como instrumento de saúde pública.
Appropriate referral and management of patients with chronic kidney disease (CKD) from primary care to nephrologists are essential to prevent disease progression and complications. To describe the demographic and follow-up characteristics of patients with CKD stage 3b at the time of nephrology referral, the medical care offered by general practitioners, and the initial care provided by nephrologists in the Brazilian Unified Health System (SUS). This retrospective cohort study included all patients with CKD stage 3b on the waiting list for nephrology consultation between January 2018 and January 2020 in a large city in southern Brazil. Sociodemographic data, comorbidities, and adherence to follow-up recommendations based on the 2021 Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) guidelines were analyzed. Laboratory test requests and results were compared between the periods of general practitioner care and the period following nephrology consultation. A total of 211 patients (mean age 74 ± 12 years) were included; 76.0% were hypertensive and 46.9% had diabetes. Approximately half had an adequate number of primary care appointments. Laboratory monitoring was suboptimal in both primary and specialized care. Before nephrology consultation, hemoglobin and urinalysis were available for 32.2% and 19.4% of patients, respectively. After consultation, hemoglobin and potassium results were documented in 68.3% and 58.8% of patients, respectively. Although patients with CKD stage 3b were regularly followed, low adherence to KDIGO testing recommendations raises concerns about the adequacy of care. Strengthening communication and guideline implementation between primary care and nephrology services is crucial to improve CKD management within the SUS. O encaminhamento e o manejo adequados de pacientes com DRC da atenção primária à nefrologia são fundamentais para prevenir complicações e a progressão da doença. Descrever características demográficas e de acompanhamento de pacientes com DRC estágio 3b no momento do encaminhamento, o cuidado oferecido por generalistas e a assistência inicial por nefrologistas no Sistema Único de Saúde (SUS). Coorte retrospectiva incluindo todos os pacientes com DRC estágio 3b na lista de espera para consulta nefrológica entre janeiro de 2018 e janeiro de 2020, em uma grande cidade do sudeste do Brasil. Foram avaliados dados sociodemográficos, comorbidades e adesão às recomendações de acompanhamento segundo Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) 2021. Os pedidos e resultados de exames laboratoriais foram comparados entre os períodos de atendimento pelo clínico geral e após consulta nefrológica. Um total de 211 pacientes (idade média de 74 ± 12 anos) foram incluídos; 76% eram hipertensos e 46,9%, diabéticos. Cerca de metade realizou número adequado de consultas na atenção básica. O monitoramento laboratorial foi subótimo tanto na atenção primária quanto no cuidado especializado. Antes da nefrologia, exames de dosagem de hemoglobina e exames de urina estavam disponíveis em 32,2% e 19,4% dos pacientes, respectivamente. Após a consulta especializada, hemoglobina e potássio foram registrados para 68,3% e 58,8% dos pacientes, respectivamente. Embora os pacientes com DRC estágio 3b fossem acompanhados regularmente, a baixa adesão às recomendações de testes da KDIGO levanta preocupações quanto à adequação do cuidado. Fortalecer a comunicação e a implementação das diretrizes entre a atenção primária e os serviços de nefrologia é fundamental para aprimorar o manejo da DRC no âmbito do SUS.
Despite advances in chronic kidney disease (CKD) management, early diagnosis and risk stratification remain major challenges. This study analyzed national data derived from a Brazilian CKD screening campaign, targeting high-risk individuals unaware of their condition, to estimate CKD prevalence and evaluate longitudinal trends in estimated glomerular filtration rate (eGFR). This cross-sectional, observational study evaluated adults with diabetes mellitus (DM) and/or arterial hypertension, previously undiagnosed with CKD, who participated in a CKD screening campaign. Demographic, clinical, and laboratory data-including serum creatinine and albumin-to-creatinine ratio (ACR)-were collected. CKD staging followed Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) criteria, and eGFR was calculated using the CKD-EPI 2021 equation. Mixed effect models were used to assess eGFR trajectories and logistic regression was used to examine CKD risk factors. Among 14,239 high-risk participants (mean age 54 years; 84% hypertensive; 37% diabetic), CKD was newly identified in 19.6%, with 11.3% showing eGFR <60 mL/min and 11.1% ACR >30 mg/g. Despite abnormal ACR results, testing remained uncommon: <5% prior to the campaign and <7% afterward. eGFR decline was steeper among diabetics (+40%), hypertensive individuals (+17%), those >65 years of age (+17%), and individuals with body mass index (BMI) >25 kg/m2 (+60%). Logistic regression models of risk projected ~169,000 kidney failure cases in 2 years and ~500,000 in 5 years, excluding competing mortality risk. A high prevalence of previously undiagnosed CKD was found in this high-risk population. Despite universal access to testing in Brazil, albuminuria remains markedly underused, representing a missed opportunity for early detection and implementation of nephroprotective interventions. Apesar dos avanços no manejo da doença renal crônica (DRC), o diagnóstico precoce e a estratificação de risco permanecem grandes desafios. Este estudo analisou dados nacionais derivados de uma campanha brasileira de rastreamento da DRC, voltada para indivíduos de alto risco que desconheciam sua condição, visando estimar a prevalência da doença e avaliar tendências longitudinais na taxa de filtração glomerular estimada (TFGe). Estudo transversal observacional avaliando adultos com diabetes mellitus (DM) e/ou hipertensão arterial, sem diagnóstico prévio de DRC, que participaram de campanha de rastreamento da doença. Coletaram-se dados demográficos, clínicos e laboratoriais, incluindo creatinina sérica e relação albumina/creatinina (RAC). O estadiamento da DRC seguiu os critérios do Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) e calculou-se a TFGe pela equação CKD-EPI 2021. Modelos de efeitos mistos foram utilizados para avaliar as trajetórias da TFGe e regressão logística para examinar fatores de risco para DRC. Entre 14.239 participantes de alto risco (idade média 54 anos; 84% hipertensos; 37% diabéticos), a DRC foi identificada pela primeira vez em 19,6%, com 11,3% apresentando TFGe <60 mL/min e 11,1% RAC >30 mg/g. Apesar dos resultados anormais de RAC, os testes permaneceram incomuns: <5% antes da campanha e <7% depois. O declínio da TFGe foi mais acentuado entre diabéticos (+40%), indivíduos hipertensos (+17%), aqueles com idade >65 anos (+17%) e indivíduos com índice de massa corporal (IMC) >25 kg/m2 (+60%). Modelos de regressão logística de risco projetaram ~169.000 casos de insuficiência renal em 2 anos e ~500.000 em 5 anos, excluindo o risco competitivo de mortalidade. Identificamos uma prevalência elevada de DRC previamente não diagnosticada nesta população de alto risco. Apesar do acesso universal a exames no Brasil, a albuminúria segue sendo significativamente subutilizada, representando uma oportunidade perdida para detecção precoce e implementação de intervenções nefroprotetoras.
The success of peritoneal dialysis (PD) depends on securing a functional, safe, and durable peritoneal access. Over recent decades, important advances in catheter design and insertion techniques have been consolidated, with the Tenckhoff catheter remaining the most widely used. Nevertheless, the prevalence of PD in Brazil remains limited, hindered by technical and logistical barriers to catheter placement, as well as by delays between indication and procedure. This review critically examines the main approaches to establishing PD access, with emphasis on technical aspects, clinical outcomes, and complications. Conventional surgery provides direct visualization of the peritoneal cavity in a simple and safe manner, whereas percutaneous methods, particularly those guided by ultrasonography and fluoroscopy, shorten hospitalization and broaden applicability when performed by nephrologists. Comparative evidence shows that percutaneous approaches achieve low rates of infectious and mechanical complications, with satisfactory catheter survival, while videolaparoscopic placement appears to yield superior results among the most frequently adopted techniques, despite greater technical and logistical complexity. Study heterogeneity limits definitive conclusions, underscoring the need for robust randomized clinical trials. Systematic use of imaging guidance may improve technical accuracy, while the active involvement of nephrologists in the procedure is crucial for reducing delays, optimizing outcomes, and expanding PD utilization. Standardization of practices and wider adoption of minimally invasive techniques represent promising avenues for strengthening PD as a therapeutic modality. O êxito da diálise peritoneal (DP) depende da obtenção de um acesso peritoneal funcional, seguro e duradouro. Nas últimas décadas, avanços no desenho dos cateteres e nas técnicas de inserção foram consolidados, destacando-se o cateter de Tenckhoff como o mais utilizado. Apesar disso, a prevalência da DP no Brasil permanece reduzida, condicionada por limitações técnicas e logísticas no implante do cateter e pelo intervalo entre a indicação do método e a realização do procedimento. Esta revisão analisa criticamente as principais modalidades de implantação do cateter para DP, enfatizando aspectos técnicos, desfechos clínicos e complicações. A cirurgia convencional possibilita visualização direta da cavidade de forma simples e segura, enquanto as técnicas percutâneas, sobretudo as guiadas por ultrassonografia e fluoroscopia, reduzem o tempo de hospitalização e ampliam a aplicabilidade do procedimento pelo nefrologista. Evidências comparativas demonstram que as abordagens percutâneas apresentam baixas taxas de complicações infecciosas e mecânicas, com boa sobrevida do cateter, enquanto os implantes videolaparoscópicos parecem alcançar melhores resultados entre as modalidades mais utilizadas, embora com maior complexidade técnica e logística. A heterogeneidade dos estudos limita conclusões definitivas, reforçando a necessidade de ensaios clínicos randomizados robustos. Uma utilização sistemática de métodos de imagem pode ampliar a acurácia técnica, enquanto a participação ativa do nefrologista no implante é determinante para reduzir atrasos, otimizar desfechos clínicos e expandir o uso da DP. A padronização dos procedimentos e a difusão de técnicas minimamente invasivas configuram perspectivas promissoras para o fortalecimento da DP como modalidade terapêutica.
Globally, quantitative information on healthcare coverage for chronic kidney disease (CKD) is scarce. Our objective was to estimate the supply/demand ratio for CKD-related procedures in the Brazilian Unified Health System (SUS) between 2015 and 2024. The volume of tests, consultations and treatments related to CKD was retrieved from the website of the SUS Information Technology Department. The requirement parameters of these procedures were obtained from the Ministry of Health ordinances as well as from literature review. The percentage coverage of each procedure was defined by the ratio between the volume performed and the estimated need. Coverage of the following procedures increased between 2015 and 2024: serum creatinine dosage (70% to 122%), proteinuria testing (4% to 12%), kidney ultrasonography (76% to 107%), outpatient consultation with a nephrologist (48% to 164%), multidisciplinary care of pre-dialysis CKD (0% to 3%), and chronic dialysis (69% to 81%). Coverage of kidney biopsy remained nearly stable (19% to 21%). There was a reduction in coverage of arteriovenous fistula for hemodialysis (HD) (66% to 59%) and of kidney transplantation (46% to 37%). The use of peritoneal dialysis (PD) among chronic dialysis methods (PD and HD) declined from 7% to 4%. Possible explanations for these results include excessive creatinine testing and nephrology consultations, neglect of CKD screening for proteinuria, lack of adherence to multidisciplinary pre-dialysis follow-up, underutilization of PD, and insufficient availability of kidney biopsy and kidney replacement therapy (lower coverage of kidney transplantation compared to chronic dialysis). Globalmente, informações quantitativas sobre a cobertura assistencial à doença renal crônica (DRC) são escassas. Nosso objetivo foi estimar a razão oferta/necessidade de procedimentos relacionados à DRC no Sistema Único de Saúde do Brasil (SUS) entre 2015 e 2024. O montante de exames, consultas e tratamentos relacionados à DRC foi consultado no endereço eletrônico do Departamento de Informática do SUS. Os parâmetros de necessidade desses procedimentos foram obtidos em portarias do Ministério da Saúde e revisão de literatura. A cobertura percentual de cada procedimento foi definida pela razão entre montante realizado e estimativa de necessidade. A cobertura dos seguintes procedimentos aumentou entre 2015-2024: dosagem de creatinina sérica (70% a 122%), proteinúria (4% a 12%), ultrassonografia renal (76% a 107%), consulta ambulatorial com nefrologista (48% a 164%), acompanhamento multiprofissional da DRC pré-diálise (0% a 3%) e diálise crônica (69% a 81%). A cobertura de biópsia renal permaneceu praticamente estável (19% a 21%). Houve redução da cobertura de fístula arteriovenosa para hemodiálise (HD) (66% a 59%) e de transplante renal (46% a 37%). A utilização de diálise peritoneal (DP), entre os métodos de diálise crônica (DP e HD), caiu de 7% para 4%. Possíveis explicações para esses resultados são realização excessiva de dosagens de creatinina e de consultas com nefrologista, negligência do rastreamento da DRC por proteinúria, falta de adesão ao acompan­hamento multiprofissional pré-diálise, subutilização de DP e oferta insuficiente de biópsia renal e de terapia renal substitutiva (menor cobertura de transplante renal do que de diálise crônica).
Histopathological diagnosis of human cytomegalovirus (HCMV) infection in formalin-fixed, paraffin-embedded (FFPE) tissues stained with hematoxylin-eosin relies on the identification of characteristic cytopathic changes, including eosinophilic intranuclear and cytoplasmic viral inclusions. Chromogenic in situ hybridization (CISH) enables the localization of specific nucleic acid sequences in histological sections, increasing diagnostic sensitivity. Automated CISH platforms allow standardized and reproducible detection of viral RNA or DNA in FFPE tissues. This study aimed to validate an automated CISH protocol for the detection of HCMV in multiple tissue types, including renal allograft biopsies processed at the Anatomical Pathology Division of UERJ. Two groups of FFPE samples were analyzed. The first group included ten samples from various tissues, including kidney, palate, esophagus, stomach, and colon; nine positive and one negative for HCMV by immunohistochemistry (IHC). The second group included twenty renal allograft biopsies; nineteen without previous diagnosis and one positive by IHC. For CISH, fluorescein-conjugated oligonucleotide probes targeting HCMV RNA expressed during the early replication phase were used, with hybridization and detection performed on an automated platform. In Group 1, all samples, including the case previously negative by IHC, were positive for HCMV by CISH. In Group 2, six of the twenty renal biopsies were positive, including the sample already identified as positive by IHC. The automated CISH protocol demonstrated high sensitivity and reproducibility for HCMV detection, supporting its validation and use in the diagnosis of renal biopsies and other tissues, as well as its incorporation into the routine workflow of Anatomical Pathology laboratories. O diagnóstico histopatológico da infecção pelo citomegalovírus humano (HCMV) em tecidos fixados em formol e incluídos em parafina (FFIP), corados por hematoxilina-eosina, baseia-se na identificação de efeitos citopáticos característicos, como inclusões virais eosinofílicas intranucleares e citoplasmáticas. A hibridização in situ cromogênica (CISH) permite localizar sequências específicas de ácidos nucleicos em cortes histológicos, aumentando a sensibilidade diagnóstica. Plataformas automatizadas de CISH possibilitam detecção padronizada e reprodutível de RNA ou DNA em tecidos FFIP. Este estudo teve como objetivo validar um protocolo automatizado de CISH para detecção de HCMV em diferentes tipos de tecido, incluindo biópsias de enxerto renal da Disciplina de Anatomia Patológica da UERJ. Dois grupos de amostras FFIP foram analisados. O primeiro incluiu 10 amostras de tecidos diversos (rim, palato, esôfago, estômago e cólon), sendo nove positivas e uma negativa para HCMV por imuno-histoquímica (IHQ). O segundo incluiu 20 biópsias de enxerto renal, 19 sem diagnóstico prévio e uma positiva por IHQ. Para a CISH, foi utilizada sonda de oligonucleotídeos conjugada à fluoresceína, que detecta RNA do HCMV expresso na fase inicial da replicação viral, em equipamento automatizado. No grupo 1, todas as amostras, incluindo a previamente negativa por IHQ, foram positivas pela CISH. No grupo 2, seis das 20 biópsias renais foram positivas, incluindo a já identificada por IHQ. O protocolo automatizado de CISH demonstrou alta sensibilidade e reprodutibilidade para detecção de HCMV, permitindo sua validação e aplicação no diagnóstico de biópsias renais e outros tecidos e implementação na rotina dos laboratórios de Anatomia Patológica.
To determine the performance of donor-derived cell-free DNA (dd-cfDNA) as a noninvasive biomarker for the diagnosis of acute rejection in for-cause kidney transplant biopsies. This cross-sectional single-center study (between May 2021 and June 2022) included for-cause biopsies performed in kidney transplant recipients with acute graft dysfunction (AGD) or suboptimal graft function (SGF). dd-cfDNA levels were correlated with histological diagnosis according to the Banff 2022 classification. Among 492 biopsies, 80.7% were performed for AGD and 19.3% for SGF. The distribution of histological phenotypes was 10.2% (category 1), 6.5% (category 2), 6.9% (category 3), 7.9% (category 4), 33.3% (category 5), and 35.2% (category 6). The respective median dd-cfDNA values were 0.25% (IQR 0.16-0.46), 1.88% (IQR 0.92-5.11), 0.45% (IQR 0.26-0.63), 0.51% (IQR 0.34-1.11), 0.27% (IQR 0.15-0.45), and 0.38% (IQR 0.23-0.64). Category 2 presented a higher median dd-cfDNA compared with the other groups (p < 0.001). The area under the curve (AUC) was 0.77 for acute rejection (categories 2 and 4), with a sensitivity of 50.7%, a specificity of 91.2%, a positive predictive value of 49.3%, a negative predictive value of 91.6%, and an accuracy of 85.4%. Similar results were observed in biopsies for AGD or SGF. The dd-cfDNA with the highest diagnostic performance for acute rejection was 0.81%, with optimal thresholds of 0.46% for AGD and 0.81% for SGF biopsies. In this cohort, dd-cfDNA showed moderate diagnostic performance for acute graft rejection and high negative predictive value. dd-cfDNA threshold diagnostic varied according to the type of for-cause biopsies (AGD or SGF). Determinar o desempenho do DNA livre de células derivado do doador (dd-cfDNA) como biomarcador não invasivo para o diagnóstico de rejeição aguda em biópsias de transplante renal realizadas por indicação clínica. Estudo transversal, de centro único (maio de 2021 a junho de 2022), que incluiu biópsias realizadas por indicação clínica em receptores de transplante renal com disfunção aguda do enxerto (DAE) ou função insatisfatória do enxerto (FIE). Os níveis de dd-cfDNA foram correlacionados com o diagnóstico histológico segundo a classificação de Banff 2022. Entre 492 biópsias, 80,7% foram realizadas por DAE e 19,3% por FIE. A distribuição dos fenótipos histológicos foi: 10,2% (categoria 1), 6,5% (categoria 2), 6,9% (categoria 3), 7,9% (categoria 4), 33,3% (categoria 5) e 35,2% (categoria 6). As medianas correspondentes de dd-cfDNA foram 0,25% (IIQ 0,16–0,46), 1,88% (IIQ 0,92–5,11), 0,45% (IIQ 0,26–0,63), 0,51% (IIQ 0,34–1,11), 0,27% (IIQ 0,15–0,45) e 0,38% (IIQ 0,23–0,64). A categoria 2 apresentou mediana de dd-cfDNA significativamente mais elevada em comparação com os demais grupos (p < 0,001). A área sob a curva (AUC) para rejeição aguda (categorias 2 e 4) foi 0,77, com sensibilidade de 50,7%, especificidade de 91,2%, valor preditivo positivo de 49,3%, valor preditivo negativo de 91,6% e acurácia de 85,4%. Resultados semelhantes foram observados nas biópsias realizadas por DAE e por FIE. O ponto de corte do dd-cfDNA com melhor desempenho diagnóstico para rejeição aguda foi 0,81%, sendo que os valores ideais foram de 0,46% para biópsias por DAE e 0,81% para biópsias por FIE. Nesta coorte, o dd-cfDNA apresentou desempenho diagnóstico moderado para rejeição aguda do enxerto e alto valor preditivo negativo. O melhor ponto de corte para o desempenho diagnóstico do dd-cfDNA variou de acordo com o tipo de biópsia realizada por indicação clínica (DAE ou FIE).
The annual Brazilian Dialysis Survey (BDS) plays an important role in informing and shaping national health policies. To present the 2024 epidemiological findings from the BDS conducted by the Brazilian Society of Nephrology (BSN) and compare them with previous years. A survey was conducted among Brazilian chronic dialysis centers through voluntary participation, utilizing an online questionnaire to assess clinical and epidemiological characteristics of dialysis patients, as well as dialysis center attributes. For specific estimates of prevalence, incidence, and funding source, a nationally representative random sample of dialysis centers stratified by geographic region was selected (n = 258). A total of 386 dialysis centers (42.7%) voluntarily responded to the online questionnaire, and 162 centers from the randomly selected centers provided data. On July 1st, 2024, the estimated number of dialysis patients was 172,585, with 52,944 new patients starting dialysis in 2024. The estimated prevalence and incidence rates per million population (pmp) were 812 and 249, respectively. Among prevalent patients, 87.3% were undergoing hemodialysis, 7.1% hemodiafiltration, and 5.6% peritoneal dialysis. Compared to the previous year, there was an increase in catheter use for hemodialysis vascular access, along with higher prevalence rates of anemia, hyperphosphatemia, hyper-kalemia, and low Kt/V. The estimated crude annual mortality rate was 16.5%. Data from a random sample of dialysis centers indicate a continued rise in the number and prevalence of chronic dialysis patients in Brazil. Worsening trends in permanent vascular access, dialysis adequacy, and metabolic control underscore the need for targeted improvements in patient care. O Censo Brasileiro de Diálise (CBD) anual desempenha papel fundamental na informação e definição de políticas nacionais de saúde. Realizou-se pesquisa entre centros brasileiros de diálise crônica por participação voluntária, utilizando questionário online para avaliar características clínicas e epidemiológicas de pacientes em diálise e atributos dos centros. Para estimar a prevalência, a incidência e a fonte de financiamento, foi selecionada uma amostra aleatória nacionalmente representativa de centros de diálise, estratificada por região geográfica. (n = 258). Um total de 386 centros de diálise (42,7%) respondeu voluntariamente ao questionário online e 162 centros dentre os selecionados aleatori­amente forneceram dados. Em 1º de julho de 2024, o número estimado de pacientes em diálise era 172.585, com 52.944 novos pacientes iniciando diálise em 2024. Taxas estimadas de prevalência e incidência por milhão da população (pmp) foram 812 e 249, respectivamente. Entre pacientes prevalentes, 87,3% estavam em hemodiálise, 7,1% em hemodiafiltração, 5,6% em diálise peritoneal. Comparado ao ano anterior, houve aumento no uso de cateteres para acesso vascular de hemodiálise, juntamente com maiores taxas de prevalência de anemia, hiperfosfatemia, hiperpotassemia e baixo Kt/V. A taxa bruta estimada de mortalidade anual foi 16,5%. Dados de uma amostra aleatória de centros de diálise indicam aumento contínuo no número e prevalência de pacientes em diálise crônica no Brasil. Piores tendências em relação ao acesso vascular, adequação da diálise e controle metabólico ressaltam a necessidade de melhorias direcionadas ao cuidado dos pacientes.
The high rate of people with chronic kidney disease on dialysis is a public health problem, especially in developing countries. To evaluate demographic and socioeconomic changes related to dialysis treatment in Brazil from 2002 to 2019. This descriptive, analytical study reviewed retrospective documentary data. A comparative analysis was conducted on demographic, economic, and social trends, as well as changes in dialysis service provision in Brazil between 2002 and 2019. Correlation analysis between Municipal Human Development Index (HDI-M) and the number of dialysis units was performed. There was an increase in the percentage of the older population (5.3% vs. 9.25%) and in life expectancy at birth (70.8 vs. 75.9 years). The gross domestic product (GDP) increased by 453%; the percentage of investment in public health (below 4%) was stable and the ranking of global Human Development Index decreased (73 vs 84). The increase in the prevalence of patients on chronic maintenance dialysis was greater than the increase in the number of patients in new centers (117.3% vs. 43.9%), with fewer patients receiving treatment in the North and Northeast regions. There was a positive linear correlation between the HDI-M values and the number of dialysis units (R = 0.52; 95% CI: 0.75-0.18; p = 0.006). Despite Brazil's strong economic growth and the drastic demographic changes that occurred during the study period, this progress did not translate into a higher investment in health and equitable access to dialysis treatment across the country. A elevada taxa de indivíduos com doença renal crônica em diálise constitui um problema de saúde pública, especialmente nos países em desenvolvimento. Avaliar as mudanças demográficas e socioeconômicas relacionadas ao tratamento dialítico no Brasil entre 2002 e 2019. Estudo descritivo e analítico com revisão de dados documentais retrospectivos. Foi realizada uma análise comparativa das tendências demográficas, econômicas e sociais, bem como das alterações na oferta de serviços de diálise no Brasil entre 2002 e 2019. Realizouse, ainda, uma análise de correlação entre o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) e o número de unidades de diálise. Houve um aumento no percentual da população idosa (5,3% vs. 9,25%) e na expectativa de vida ao nascer (70,8 vs. 75,9 anos). O produto interno bruto (PIB) aumentou 453%; o percentual de investimento em saúde pública permaneceu estável (abaixo de 4%) e o ranking do Indice de Desenvolvimento Humano Global apresentou redução (73 vs 84). O aumento na prevalência de pacientes em diálise crônica de manutenção foi superior ao aumento no número de pacientes em novos centros (117,3% vs. 43,9%), com menos pacientes recebendo tratamento nas regiões Norte e Nordeste. Houve correlação linear positiva entre os valores do IDH-M e o número de unidades de diálise (R = 0,52; IC 95%: 0,75–0,18; p = 0,006). O forte crescimento econômico do Brasil e as drásticas mudanças demográficas ocorridas durante o período do estudo nāo se traduziram em maiores investimentos na saúde e acesso equitativo ao tratamento dialítico em todo o país.
The increase in chronic kidney disease prevalence and its risk factors have pressured universal health systems to expand the supply of kidney replacement therapy (KRT - hemodialysis, peritoneal dialysis and kidney transplantation). Particularly in low- and middle-income countries and those undergoing a fast epidemiological and demographic transition, the access to nephrology consultations and multidisciplinary care is limited, and the majority of patients start KRT in an unplanned manner or during emergency hospitalization. Even patients with adequate pre-dialysis care and elective requests for KRT are at risk of clinical decompensation and requiring hospitalization to start emergency dialysis; this risk increases the longer the delay in starting KRT. In both cases, the patient's access to an outpatient dialysis unit must be timely and the transition of care safe. There are Brazilian and international guidelines for patients who are prevalent on dialysis. However, there are no clear recommendations for regulating access to the start of outpatient KRT, which often leads to divergent opinions among healthcare professionals and contributes to the inefficiency of the regulatory process. This document aims to: (1) list the main challenges in the daily practice of the regulatory professionals in the Brazilian Unified Health System; (2) present recommendations from the Brazilian Society of Nephrology based on scientific evidence and available legislation. O aumento da prevalência de doença renal crônica e de seus fatores de risco tem pressionado os sistemas universais de saúde a ampliar a oferta de terapia renal substitutiva (TRS — hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal). Sobretudo nos países de renda baixa e média e naqueles em franca transição epidemiológica e demográfica, o acesso a consultas com nefrologista e equipe multiprofissional é limitado, e o início da TRS ocorre majoritariamente de maneira não planejada ou durante internação de urgência/emergência. Mesmo os pacientes em acompanhamento pré-dialítico adequado e com solicitação eletiva de TRS apresentam risco de descompensação clínica e podem requerer hospitalização para iniciar diálise de urgência; esse risco aumenta à medida que se prolonga o tempo de espera para iniciar TRS. Em ambos os casos, o acesso do paciente a uma unidade de diálise ambulatorial deve ser tempestivo e a transição de cuidado, segura. Existem diretrizes brasileiras e internacionais que norteiam o cuidado de pacientes prevalentes em diálise. No entanto, não existem recomendações claras sobre como regular o acesso ao início de TRS ambulatorial, o que frequentemente leva a divergências de opinião entre os profissionais envolvidos e contribui para a ineficiência do processo regulatório. O presente documento tem por objetivos: (1) listar os principais desafios na prática diária dos profissionais de regulação de vagas de diálise ambulatorial no Sistema Único de Saúde; e (2) apresentar recomendações da Sociedade Brasileira de Nefrologia com base em evidências científicas e nas legislações disponíveis.
Acute kidney injury (AKI) is a common complication after coronary artery bypass grafting (CABG), associated with worse clinical outcomes. However, its impact on functional outcomes remains uncertain. To evaluate the clinical and functional outcomes of patients undergoing cardiac surgery who developed AKI during hospitalization. A prospective cohort study was conducted with 60 patients evaluated preoperatively, at ICU discharge and at hospital discharge. Clinical and functional variables were collected, including the six-minute walk test (6MWT), sit-to-stand test (STS), Timed Up and Go (TUG), peripheral muscle strength, and the functional independence measure (FIM). Patients were divided into two groups: those with and those without AKI. Fifteen patients (25%) developed AKI. There was no significant difference in ICU length of stay between groups; however, hospital stay was longer in the AKI group (14 ± 5 vs. 9 ± 3 days), and mortality was higher. Patients with AKI showed a 33.53% reduction in the 6MWT distance at ICU discharge, with partial recovery by the time of hospital discharge. In the STS test, patients without AKI performed better at hospital discharge. In the TUG test, AKI patients showed better performance at discharge compared to those without AKI. FIM scores were lower in the AKI group, indicating reduced functional independence. Patients with AKI presented worse clinical outcomes and lower functional independence, although they demonstrated potential for functional recovery by the time of hospital discharge, highlighting the importance of postoperative rehabilitation. Lesão renal aguda (LRA) é uma complicação frequente após a cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) e está associada a piores desfechos clínicos. Entretanto, seu impacto sobre os desfechos funcionais ainda não está totalmente esclarecido. Avaliar os desfechos clínicos e funcionais de pacientes submetidos à cirurgia cardíaca que desenvolveram LRA durante a hospitalização. Coorte prospectiva com 60 pacientes avaliados no pré-operatório, na alta da unidade de terapia intensiva (UTI) e na alta hospitalar. Realizou-se teste de caminhada de seis minutos (TC6), teste de sentar-levantar (TSL), Timed Up and Go (TUG), avaliação da força muscular periférica e medida de independência funcional (MIF). Os pacientes foram divididos em grupos com e sem LRA. Quinze pacientes (25%) desenvolveram LRA. Não houve diferença no tempo de permanência na UTI; contudo, o tempo de internação hospitalar foi maior no grupo com LRA (14 ± 5 vs. 9 ± 3 dias), assim como a mortalidade. Os pacientes com LRA apresentaram redução de 33,5% no TC6 na alta da UTI, com recuperação parcial até a alta hospitalar. No TSL, os pacientes sem LRA apresentaram melhor desempenho na alta hospitalar. No TUG, o grupo com LRA apresentou melhor desempenho na alta em comparação ao grupo sem LRA. Os escores da MIF foram menores no grupo com LRA, indicando menor independência funcional. A LRA esteve associada a piores desfechos clínicos e à menor independência funcional após CRM. Os pacientes com LRA demonstraram recuperação funcional parcial até a alta hospitalar, reforçando a importância da reabilitação no pós-operatório.
Moraxella species, although infrequent in peritoneal dialysis (PD)-associated infections, are established pathogens. Moraxella catarrhalis is recognized as a cause of upper and lower respiratory tract infections and is increasingly associated with β-lactamase production. The role of Moraxella species in PD-related infections warrants further investigation. A comprehensive search of PubMed and Google Scholar was conducted for cases of PD-associated infections caused by Moraxella. Inclusion criteria required a diagnosis of peritonitis or exit-site infection confirmed by culture. Demographic data, clinical presentation, microbiological identification, antimicrobial resistance, therapeutic regimens, and outcomes were analyzed. Fourteen cases of Moraxella-related peritonitis in PD patients were identified between 1987 and 2024 from 13 studies, with no reports of exitsite infections. The mean age was 56 years; diabetic nephropathy was the most common underlying condition (four cases). M. catarrhalis (n = 6) and Moraxella osloensis (n = 5) were the most frequent pathogens. The most commonly reported methods were bacterial growth in culture media, followed by species identification using biochemical profiling or automated systems (n = 10), and advanced confirmatory techniques. Clinical presentation included abdominal pain, fever, and clouding of the dialysis fluid. Most isolates were susceptible to cephalosporins, aminoglycosides, and fluoroquinolones. The majority of patients (86%) retained their catheters after appropriate treatment, usually with intraperitoneal cephalosporins, achieving complete symptom resolution within a few days. Overall prognosis was favorable, with no mortality. Moraxella species, although rare, should be considered in the differential diagnosis of PD-associated infections. Identification using advanced techniques allows effective treatment and favorable outcomes, often without the need for catheter removal. Espécies de Moraxella, embora raras em infecções associadas à diálise peritoneal (DP), são patógenos estabelecidos. Moraxella catarrhalis causa infecções respiratórias, frequentemente associadas à produção de β-lactamase. Seu papel na DP merece investigação. Buscou-se nas bases PubMed e Google Scholar casos de infecções por Moraxella em DP. Critérios de inclusão: diagnóstico de peritonite ou infecção no local de saída confirmados por cultura. Analisaramse dados demográficos, clínicos, microbiologia, resistência, terapêutica e desfechos. Catorze casos de peritonite relacionada à Moraxella em pacientes em DP foram identificados entre 1987 e 2024, a partir de 13 estudos, sem relatos de infecções no local de saída. A idade média foi 56 anos; a nefropatia diabética foi a condição de base mais comum (quatro casos). M. catarrhalis (n = 6) e Moraxella osloensis (n = 5) foram os patógenos mais frequentes, com crescimento bacteriano apoiado em meios de cultura, seguido de identificação por perfis bioquímicos ou sistemas automatizados (n = 10), e técnicas confirmatórias avançadas empregadas quando relatadas. A apresentação clínica incluiu dor abdominal, febre e turbidez do líquido de diálise. A maioria dos isolados mostrou suscetibilidade a cefalosporinas, aminoglicosídeos e fluoroquinolonas. A maior parte dos pacientes (86%) manteve os cateteres após tratamento adequado, geralmente com administração intraperitoneal de cefalosporinas, com resolução completa dos sintomas em poucos dias. O prognóstico geral foi favorável, sem mortalidade. Espécies de Moraxella, embora raras, devem constar no diagnóstico diferencial das infecções relacionadas à DP. Sua identificação por técnicas avançadas permite tratamento eficaz e desfechos favoráveis, frequentemente sem necessidade de remoção do cateter.
Over the past decade, there has been an increase in renal transplantation among the elderly. However, age-related declines in immune function heighten the risks associated with immunosuppressive therapy, impacting patient survival. This study examines the first year's immunosuppressive regimen post-kidney transplantation in elderly individuals. A singlecenter retrospective cross-sectional study was conducted, categorizing kidney transplant recipients from January 2013 to December 2017 into two groups: a control group (aged 30-50 years) and a seniors group (over 60 years). The study included 59 seniors and 114 controls. Seniorsreceived lower mycophenolate doses (11 ± 7.7 mg/kg/day) compared to controls (15 ± 7.2 mg/kg/day; p = 0.003) and fewer corticosteroids were administered (64.9% vs. 18.6%; p = 0.0001) as maintenance immunosuppression. Seniors also had a higher tacrolimus level-to-dose ratio (p < 0.05). Additionally, seniors experienced more leukopenia (56.5% vs. 35.6%; p = 0.017) and cytomegalovirus infections (44.7% vs. 26.9%; p = 0.034). Despite receiving lower mycophenolate doses and fewer corticosteroids along with a higher tacrolimus level-to-dose ratio, seniors had more adverse events. However, graft survival was not affected. These results suggest that elderly patients may benefit from reduced immunosuppressant exposure, supporting a conservative approach. Ao longo da última década, verificou-se um aumento no número de transplantes renais entre idosos. No entanto, o declínio da função imunológica associado ao envelhecimento eleva os riscos associados à terapia imunossupressora, com impacto na sobrevida dos pacientes. Este estudo analisa o regime imunossupressor adotado no primeiro ano após o transplante renal em indivíduos idosos. Foi realizado um estudo transversal retrospectivo, de centro único, categorizando receptores de transplante renal de janeiro de 2013 a dezembro de 2017 em dois grupos: um grupo controle (com idades entre 30 e 50 anos) e um grupo de idosos (com idade superior a 60 anos). O estudo incluiu 59 idosos e 114 controles. Os idosos receberam doses mais baixas de micofenolato (11 ± 7,7 mg/kg/dia) em comparação aos controles (15 ± 7,2 mg/kg/dia; p = 0,003) e menores quantidades de corticosteroides foram administradas (64,9% vs. 18,6%; p = 0,0001) como imunossupressão de manutenção. Essa população também apresentou uma relação nível/dose de tacrolimus mais elevada (p < 0,05). Além disso, os pacientes idosos apresentaram mais casos de leucopenia (56,5% vs. 35,6%; p = 0,017) e infecções por citomegalovírus (44,7% vs. 26,9%; p = 0,034). Apesar de receberem doses mais baixas de micofenolato e menos corticosteroides, juntamente com uma relação nível/dose de tacrolimus mais elevada, os idosos apresentaram maior ocorrência de eventos adversos. Entretanto, a sobrevida do enxerto não foi afetada. Esses resultados sugerem que pacientes idosos podem se beneficiar de uma exposição reduzida a imunossupressores, o que reforça uma abordagem conservadora.
Acute kidney injury (AKI) is a common complication in the postoperative period of heart transplantation and is associated with unfavorable patient outcomes. To analyze the incidence of AKI in patients undergoing heart transplantation and to identify preoperative, intraoperative, and postoperative risk factors associated with its development. This was a single-center retrospective cohort study including patients who underwent heart transplantation during the first three years of the program at a tertiary hospital in the State of São Paulo, from January 2020 to January 2023. Patients with chronic kidney disease (CKD) stages 4 or 5 and prior kidney transplantation were excluded. The incidence of AKI was 48%. Logistic regression analysis demonstrated an association between AKI and the following factors: pre-existing CKD (OR = 3.155; 95% CI 1.343-6.340; p = 0.031), cold ischemia time (OR = 1.956; 95% CI 1.126-3.053; p = 0.042), and higher doses of norepinephrine in the first postoperative day (OR = 5.211; 95% CI 2.696-8.987; p = 0.028). There was no significant difference in mortality between patients who developed AKI and those who did not (58.3% vs. 38.5%; p = 0.09). The incidence of AKI was high (48%) in this population. The main risk factors for its development were pre-existing CKD, prolonged cold ischemia time, and higher doses of norepinephrine in the first postoperative day. A injúria renal aguda (IRA) é uma complicação frequente no período pós-operatório do transplante cardíaco, associando-se a um prognóstico desfavorável dos pacientes. Analisar a incidência de IRA em pacientes submetidos a transplante cardíaco e identificar fatores de risco pré-operatórios, intraoperatórios e pósoperatórios associados ao seu desenvolvimento. Estudo de coorte retrospectivo e unicêntrico, que avaliou pacientes submetidos a transplante cardíaco nos três primeiros anos de implantação do serviço em um hospital terciário do Estado de São Paulo, no período de janeiro de 2020 a janeiro de 2023. Foram excluídos pacientes com doença renal crônica (DRC) estágios 4 e 5, bem como transplantados renais. A incidência de IRA foi de 48%. A análise de regressão logística evidenciou associação entre IRA e os seguintes fatores: DRC prévia (OR = 3,155; IC = 1,343–6,340; p = 0,031), tempo de isquemia fria (OR = 1,956; IC = 1,126–3,053; p = 0,042) e maiores doses de noradrenalina no primeiro pós-operatório (OR = 5,211; IC = 2,696–8,987; p = 0,028). Não houve diferença na mortalidade entre os pacientes que evoluíram ou não com IRA (58,3% vs. 38,5%; p = 0,09). Houve elevada incidência de IRA (48%) nesta população, e os principais fatores de risco para seu desenvolvimento foram DRC prévia, tempo de isquemia fria e maiores doses de noradrenalina no primeiro pós-operatório.
Persistent dyslipidemia in children with steroid resistant nephrotic syndrome (SRNS) causes endothelial dysfunction resulting in adverse cardiovascular outcomes. Thirty-four patients aged 4-18 years newly diagnosed with SRNS and no previous statin use were enrolled in this longitudinal observational study. Serum levels of total cholesterol, LDL cholesterol, and endothelial dysfunction markers (PSCK-9, E-selectin) were measured at baseline and after 12 weeks of lifestyle modifications in all patients, and atorvastatin was prescribed to those with LDL-cholesterol > 160 mg/dL. Primary outcome measure was change in plasma levels of total cholesterol, LDL cholesterol, PSCK-9, and E-selectin at 12 weeks. The secondary outcome was the correlation of PSCK-9 and E-selectin with lipid profile, blood pressure, BMI, serum albumin, and urine-protein creatinine ratio. There was a significant decline in total cholesterol, LDL cholesterol, E-selectin, and PCSK-9 levels at 12 weeks of lifestyle modification and atorvastatin therapy. In a subgroup analysis between the statin group (n = 16) and the non-statin group (n = 18), both groups showed a significant decline in lipid profile parameters with a more pronounced decline in the statin subgroup. Endothelial dysfunction markers (E-selectin and PSCK-9) showed a declining trend in both subgroups, but the decline was not statistically significant in the statin group. Dietary and lifestyle modifications led to a decline in endothelial dysfunction markers and an improvement in lipid profile. Statins helped improve dyslipidemia but did not significantly improve endothelial dysfunction markers at 12 weeks. Dislipidemia persistente em crianças com síndrome nefrótica resistente a esteroides (SNRE) causa disfunção endotelial, resultando em desfechos cardiovasculares adversos. Trinta e quatro pacientes, entre 4 e 18 anos, recém-diagnosticados com SNRE e sem uso prévio de estatinas, foram incluídos neste estudo observacional longitudinal. Níveis séricos de colesterol total, colesterol LDL e marcadores de disfunção endotelial (PCSK9, E-selectina) foram mensurados no início e após 12 semanas de modificações no estilo de vida em todos os pacientes; a atorvastatina foi prescrita àqueles com colesterol LDL > 160 mg/dL. O desfecho primário foi a alteração nos níveis plasmáticos de colesterol total, colesterol LDL, PCSK9 e E-selectina após 12 semanas. O desfecho secundário foi a correlação de PCSK9 e E-selectina com perfil lipídico, pressão arterial, IMC, albumina sérica e relação proteína/creatinina urinária. Observou-se redução significativa nos níveis de colesterol total, colesterol LDL, E-selectina e PCSK9 após 12 semanas de modificação do estilo de vida e terapia com atorvastatina. Na análise de subgrupos entre grupo estatina (n = 16) e grupo sem estatina (n = 18), ambos apresentaram redução significativa nos parâmetros do perfil lipídico, com redução mais acentuada no subgrupo estatina. Os marcadores de disfunção endotelial (E-selectina, PCSK9) apresentaram tendência de redução em ambos os subgrupos; porém, no grupo estatina, a redução não foi estatisticamente significativa. Modificações dietéticas e no estilo de vida promoveram redução dos marcadores de disfunção endotelial e melhora no perfil lipídico. As estatinas contribuíram para melhora da dislipidemia, mas não melhoraram significativamente os marcadores de disfunção endotelial em 12 semanas.
Central venous catheters (CVC) are often the only option for hemodialysis, particularly when arteriovenous fistulas cannot be created or in urgent situations. However, the exhaustion of traditional access sites necessitates alternative approaches. This study aims to describe our center's experience with transhepatic venous access for hemodialysis, focusing on infection rates, catheter patency, and dialysis adequacy, to evaluate the feasibility of this option in patients with limited vascular access options. We conducted a retrospective study at Pro-Rim Foundation (January 2017 - February 2024) on patients with transhepatic CVC. Clinical records were reviewed for demographics, comorbidities, CVC details, dialysis adequacy, and outcomes. A total of 24 longterm transhepatic CVCs were placed in 12 patients (58.3% male, mean age 55.9 years). The technical success rate was 100%, with no complications within 24 hours. Over 3615 catheter-days, thrombosis occurred at a rate of 0.30 per 100 catheterdays, and infection occurred at 0.08 per 100 catheter-days. The mean dialysis dose (eKt/V) was 1.29. Seven patients died during follow-up, with only one death related to vascular access complications. The mean primary and secondary catheter patency times were 162.9 and 204.0 days, respectively. Our study supports transhepatic hemodialysis catheters as a viable option for patients with no other access options, showing good long-term functionality, low infection rates, and reasonable dialysis adequacy. Thrombosis remains a significant challenge, necessitating better maintenance, monitoring, and further research to improve outcomes. Os cateteres venosos centrais (CVC) são frequentemente a única opção para hemodiálise, especialmente quando não é possível confeccionar fístulas arteriovenosas ou em situações de urgência. Entretanto, o esgotamento dos sítios de acesso tradicionais requer abordagens alternativas. Este estudo tem como objetivo descrever a experiência de nosso centro com acesso venoso transhepático para hemodiálise, focando nas taxas de infecção, patência do cateter e adequação da diálise para avaliar sua viabilidade em pacientes com opções limitadas de acesso vascular. Estudo retrospectivo realizado na Fundação Pró-Rim (janeiro/2017 a fevereiro/2024) envolvendo pacientes com CVC trans-hepático. Analisaram-se registros clínicos quanto a dados demográficos, comorbidades, detalhes do CVC, adequação dialítica e desfechos. 24 CVC trans-hepáticos de longa permanência foram implantados em 12 pacientes (58,3% homens; idade média 55,9 anos). A taxa de sucesso técnico foi de 100%, sem complicações em 24 horas. Ao longo de 3615 dias-cateter, houve trombose a uma taxa de 0,30 por 100 dias-cateter e infecção a 0,08 por 100 dias-cateter. A dose média de diálise (eKt/V) foi 1,29. Sete pacientes morreram durante o acompanhamento, com apenas um óbito relacionado a complicações do acesso vascular. Tempos médios de patência primária e secundária dos cateteres foram 162,9 e 204,0 dias, respectivamente. Nosso estudo apoia o uso de cateteres trans-hepáticos para hemodiálise como opção viável para pacientes sem outras alternativas de acesso, demonstrando boa funcionalidade a longo prazo, baixas taxas de infecção e adequação dialítica razoável. A trombose permanece um desafio significativo, exigindo melhor manutenção, monitoramento e pesquisas adicionais para aprimorar os desfechos.
Sarcopenia has been associated with an increased risk of falls in diverse populations. Patients with end-stage renal disease (ESRD) undergoing hemodialysis (HD) have an increased prevalence of muscle weakness and wasting. The aim of this study was to investigate the association between parameters of sarcopenia and a history of falls in ESRD patients on HD. A cross-sectional study was utilized to assess 111 participants with ESRD on HD (54 ± 15.6 years; 59.5% men). Sarcopenia was defined by low muscle strength (handgrip dynamometry) and low muscle mass (bioelectrical impedance). History of falls was self-reported. Bivariate analyses were performed, and a multivariate logistic regression model was used to assess the association between sarcopenia and falls while adjusting for confounders. In the multivariate analysis, sarcopenia was not independently associated with a history of falls (OR = 1.73; p = 0.40). However, advanced age (OR = 1.04 per year; p = 0.03) and a history of stroke (OR = 6.07; p = 0.05) were identified as significant independent predictors of falls. History of falls was not independently associated with muscle strength or mass in ESRD patients on HD. Future longitudinal studies are needed to investigate other factors associated with this outcome. A sarcopenia está associada a um risco aumentado de quedas em diversas populações. Pacientes com doença renal crônica (DRC) em hemodiálise (HD) apresentam maior prevalência de fraqueza e atrofia muscular. O objetivo deste estudo foi investigar a associação entre parâmetros de sarcopenia e histórico de quedas nessa população. Um estudo transversal foi realizado para avaliar 111 participantes com DRC em HD (54 ± 15,6 anos; 59,5% homens). A sarcopenia foi definida por baixa força muscular (dinamometria manual) e baixa massa muscular (impedância bioelétrica). O histórico de quedas foi autorreferido. Análises bivariadas foram realizadas, e um modelo de regressão logística multivariada foi utilizado para avaliar a associação entre sarcopenia e quedas, ajustado por fatores de confusão. Na análise multivariada, a sarcopenia não foi independentemente associada ao histórico de quedas (OR = 1,73; p = 0,40). No entanto, a idade avançada (OR = 1,04 por ano; p = 0,03) e o histórico de AVC (OR = 6,07; p = 0,05) foram identificados como preditores independentes e significativos de quedas. O histórico de quedas não esteve independentemente associado à força ou à massa muscular em pacientes com DRC em HD. Estudos longitudinais futuros são necessários para investigar outros fatores associados a esse desfecho.