Colonoscopy is a widely used screening method for colorectal cancer, playing a crucial role in early detection and prevention by allowing visualization and removal of precancerous lesions. It also helps diagnose and manage neoplastic lesions and inflammatory bowel disease by providing direct visualization of the intestinal mucosa. However, traditional air or carbon dioxide (CO2) insufflation may limit complete visualization of the colon. Alternatively, water infusion causes local distension without elongating the colon (unlike air insufflation), while warm water reduces spasms, decreasing insertion time and patient discomfort. This systematic review and meta-analysis aimed to compare water infusion versus air/CO2 insufflation in terms of technical efficacy, evaluate the effect of water immersion on procedural difficulty, and determine the accuracy of water immersion colonoscopy in detecting colon adenomas. We searched MEDLINE, EMBASE, and Cochrane CENTRAL databases for randomized controlled trials published from inception to January 2023. Outcomes included adenoma detection rate, success rate of cecal intubation, cecal intubation time, total procedure time (from insertion to withdrawal), need for abdominal compression, and on-demand sedation rate. Thirty randomized controlled trials were included. adenoma detection rate, success rate of cecal intubation, cecal intubation time, and total procedure time showed no significant difference between the two methods (P>0.05). However, water infusion significantly reduced the proportion of participants requiring on-demand sedation (risk ratio 0.61, 95%CI 0.48-0.77, P=0.02) and abdominal compression (risk ratio 0.65, 95%CI 0.51-0.83, P<0.01). Colonoscopy with water infusion helps the colonoscope reach the cecum more easily, decreasing the need for on-demand sedation and abdominal compression. A colonoscopia é um método amplamente utilizado para detecção de câncer colorretal, desempenhando um papel essencial na prevenção e detecção precoce por meio da visualização e remoção de lesões pré-malignas. Além disso, esse método auxilia no diagnóstico e tratamento de lesões neoplásicas e doenças inflamatórias intestinais, proporcionando visualização direta da mucosa intestinal. No entanto, o uso de ar ou dióxido de carbono (CO2) pode limitar a visualização completa do cólon. Uma alternativa seria o uso de infusão de água, que produz distensão local sem alongamento do cólon (ao contrário da insuflação de ar), uma vez que a água morna minimiza os espasmos, reduzindo o tempo de inserção e o desconforto do paciente. Esta revisão sistemática e metanálise busca comparar a infusão de água com a insuflação de ar/CO2 no que se refere à eficácia técnica, além de avaliar o impacto da imersão em água na dificuldade do procedimento e determinar a precisão da colonoscopia por imersão em água na detecção de adenomas colorretais. A busca foi realizada nas bases de dados MEDLINE, EMBASE, PubMed e Cochrane CENTRAL a fim de localizar ensaios clínicos randomizados publicados desde seu início até janeiro de 2023. Os desfechos incluíram a taxa de detecção de adenoma, a taxa de intubação cecal bem-sucedida, o tempo de intubação cecal, o tempo total de procedimento (tempo desde a inserção até a retirada), a necessidade de compressão abdominal e a taxa de sedação sob demanda. Trinta ensaios clínicos randomizados foram incluídos. A taxa de detecção de adenoma, a taxa de intubação cecal bem-sucedida, o tempo de intubação cecal e o tempo total de procedimento não mostraram diferença significativa entre os dois métodos (P>0,05). No entanto, a infusão de água reduziu significativamente a proporção de participantes que necessitaram de sedação sob demanda (razão de riscos 0,61, IC95% 0,48-0,77, P=0,02) e compressão abdominal (razão de riscos 0,65, IC95% 0,51-0,83, P<0,01). A infusão de água facilita a inserção do colonoscópio no ceco, reduzindo a necessidade de sedação sob demanda e de compressão abdominal.
Colonoscopy is a known tool for diagnosing precursor lesions of colorectal cancer. The use of AI has the potential to enhance the detection of these lesions. The aim of this study is to compare the adenoma detection rate (ADR) in colonoscopies performed with and without AI software. An observational study was conducted in the endoscopy department with the contribution of the gastroenterology, coloproctology and pathology services, all from a tertiary hospital in the southern region of Brazil. A total of 305 patients undergoing screening colonoscopy were evaluated. Patients were scheduled for colonoscopy through random assignment to procedure rooms with high definition conventional colonoscopy (CC) or with "Cadeye" (CADe) system. The metrics associated with patients, the procedure and polyps' features were recorded. Of 305 colonoscopies, 112 were in the CADe system and 193 in the CC. 470 polyps were detected. The overall ADR was 53.8% and the overall polyp detection was 74.8%. There was no difference in the ADR between CC and CADe (57% vs 48.2%, respectively. P=0.138). Although data argue for an increase in ADR with AI systems, our study did not show difference between conventional colonoscopy or AI. These findings suggest that, in settings with high ADR, the added benefit of AI may be limited. Colonoscopia consiste em uma ferramenta bem estabelecida para diagnóstico de lesões precursoras de câncer colorretal. O uso de inteligência artificial (IA) possui o potencial de melhorar a detecção dessas lesões. O objetivo deste estudo é comparar a taxa de detecção de adenomas em colonsocopias realizadas com e sem softwares de IA. Um estudo observacional foi conduzido no departamento de Endoscopia, com a contribuição dos serviços de Gastroenterologia, Coloproctologia e Patologia, todos de um hospital terciário na região Sul do Brasil. 305 pacientes submetidos a colonoscopias de rastreamento foram avaliados. Os pacientes eram agendados randomicamente para a realização de colonoscopia Os pacientes foram agendados para realização de colonoscopia de forma aleatória para salas de procedimento com colonoscopia convencional (CC) de alta definição ou com sistema “Cadeye” (CADe). Os parâmetros relacionados aos pacientes, ao procedimento e às características dos pólipos foram registrados. Das 305 colonoscopias, 112 delas foram realizadas com o sistrema CADe e 193 com o sistema CC. 470 pólipos foram detectados. A taxa de detecção de adenomas global foi 53.8% e a taxa de detecção de pólipos geral foi 74.8%. Não houve diferença na taxa de detecção de adenoma entre os sistemas CC e CADe (57% vs 48.2%, respectivamente. P=0,138). Embora os dados apontem um aumento da taxa de detecção de adenomas com o uso de sistemas de IA, nosso estudo não demonstrou diferenças entre a colonoscopia convencional ou com uso de IA. Esses achados sugerem que, no cenário de altas taxas de detecção de adenoma, o uso de IA pode não ser tão relevante.
Cirrhosis and acute pancreatitis (AP) are significant causes of morbidity and mortality, and their coexistence magnifies the risk of systemic complications. Patients with both conditions are particularly vulnerable to adverse outcomes, including gastrointestinal and nutritional challenges. This study examines the impact of cirrhosis on 1-year outcomes in AP patients, focusing on pseudocyst formation, protein-calorie malnutrition, ileus, small bowel obstruction, and the need for nutritional interventions such as total parenteral nutrition (TPN) or percutaneous endoscopic gastrostomy (PEG). A retrospective cohort analysis was conducted using TriNetX database. Patients with AP were identified and divided into two cohorts: those with cirrhosis (Cohort 1) and those without cirrhosis (Cohort 2). Propensity score matching balanced baseline characteristics, resulting in 26,160 patients in each cohort. Outcomes were tracked over one year, including pseudocyst formation, ileus, small bowel obstruction, malnutrition, and nutritional interventions. Kaplan-Meier survival estimates and hazard ratios with 95% confidence intervals assessed risk differences between cohorts. Cirrhosis significantly worsened outcomes compared to non-cirrhosis. Protein-calorie malnutrition was twice as common (P<0,001), affecting 5.2% of cirrhotic patients versus 2.6% of non-cirrhotic patients. Risks for ileus (P<0,001) and small bowel obstruction (P<0,001) were also significantly higher, with incidences of 2.7% and 1.7%, respectively, in cirrhotic patients. The need for TPN was more frequent in the cirrhosis cohort (P<0,001), affecting 1.9% compared to 1.2%. Conversely, pseudocyst formation was less frequent in cirrhotic patients (P=0,018), with an incidence of 2.3% versus 2.8%. PEG insertion and abdominal compartment syndrome showed no significant differences. Cirrhosis amplifies the risk of nutritional deficiencies, ileus, and small bowel obstruction in AP patients, emphasizing the need for proactive, multidisciplinary management strategies for this high-risk population. The reduced incidence of pseudocyst formation may reflect altered disease progression in cirrhosis. A cirrose e a pancreatite aguda (PA) são causas importantes de morbidade e mortalidade, e a sua coexistência amplifica o risco de complicações sistêmicas. Pacientes com ambas as condições são particularmente vulneráveis a desfechos adversos, incluindo desafios gastrointestinais e nutricionais. Este estudo avalia o impacto da cirrose nos desfechos em 1 ano em pacientes com PA, com foco na formação de pseudocisto, desnutrição proteico-calórica, íleo, obstrução de intestino delgado e na necessidade de intervenções nutricionais, como nutrição parenteral total (NPT) ou gastrostomia endoscópica percutânea (GEP). Foi realizada uma análise retrospectiva de coorte utilizando a base de dados TriNetX. Pacientes com PA foram identificados e divididos em duas coortes: aqueles com cirrose (Coorte 1) e aqueles sem cirrose (Coorte 2). O pareamento por escore de propensão foi utilizado para balancear as características basais, resultando em 26.160 pacientes em cada coorte. Os desfechos foram acompanhados ao longo de um ano, incluindo formação de pseudocisto, íleo, obstrução de intestino delgado, desnutrição e intervenções nutricionais. Estimativas de sobrevivência de Kaplan-Meier e razões de risco (hazard ratios, HR) com intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram utilizadas para avaliar as diferenças de risco entre as coortes. A cirrose piorou significativamente os desfechos em comparação com a ausência de cirrose. A desnutrição proteico-calórica foi duas vezes mais comum (P<0.001), acometendo 5,2% dos pacientes cirróticos versus 2,6% dos pacientes não cirróticos. Os riscos de íleo (P<0.001) e de obstrução de intestino delgado (P<0.001) também foram significativamente maiores, com incidências de 2,7% e 1,7%, respectivamente, nos pacientes cirróticos. A necessidade de NPT foi mais frequente na coorte com cirrose (P<0.001), acometendo 1,9% em comparação com 1,2%. Por outro lado, a formação de pseudocisto foi menos frequente em pacientes cirróticos (P=0.018), com incidência de 2,3% versus 2,8%. A realização de GEP e a ocorrência de síndrome compartimental abdominal não apresentaram diferenças significativas. A cirrose amplifica o risco de deficiências nutricionais, íleo e obstrução de intestino delgado em pacientes com PA, ressaltando a necessidade de estratégias de manejo proativas e multidisciplinares para essa população de alto risco. A menor incidência de formação de pseudocisto pode refletir uma progressão de doença alterada na cirrose.
Liver disease linked to the hepatitis B virus (HBV) is a serious public threat worldwide and in Egypt. The incidence of HBV infection in Egypt is about 1.4%. Accurate liver fibrosis assessments are crucial in the evaluation and follow-up of HBV patients, but traditional biopsies have limitations, prompting the use of non-invasive methods like the vibration controlled transient elastography (VCTE), which may not be available in limited-resource treatment centers. This study aimed to assess the diagnostic accuracy of Fibrosis-4 (FIB-4) and Aminotransferase to Platelet Ratio Index (APRI) compared to VCTE in detecting significant liver fibrosis in adult chronic HBV patients, potentially offering a more accessible and less costly approach to disease management. Methods - In this cross-sectional study, 247 subjects with chronic HBV from Alexandria University Viral Hepatitis Treatment Unit were included. Data collected included demographic details, HBV viral load, liver function tests, Complete Blood Count (CBC), international normalized ratio (INR), prothrombin time, albumin, total and direct bilirubin, APRI score, FIB-4 score, imaging, and VCTE data. IBM SPSS software was used for statistical analysis, with qualitative and quantitative data described appropriately. Logistic regression and receiver operating characteristic curve (ROC) curves were used to identify significant predictors of advanced fibrosis and assess diagnostic performance. Based on VCTE results, 247 chronic hepatitis B patients were classified into two groups: 140 with no or mild fibrosis (F0/1) and 107 with significant fibrosis (F2-F4). Significant differences were found in hemoglobin, albumin, and INR levels between the groups. The FIB-4 and APRI scores were significantly higher in the significant fibrosis group, with median FIB-4 scores of 1.26 vs 0.79 and median APRI scores of 0.40 vs 0.27. The FIB-4 index remained a significant predictor of significant fibrosis in multivariate analysis, with an odds ratio of 1.558. At a cut-off value of >0.88, the FIB-4 score achieved a sensitivity of 65.42% and a specificity of 60.0% in differentiating patients with and without significant fibrosis. Although the use of FIB-4 score is potentially useful in resource-limited settings, a significant number of misclassifications can occur due to its moderate sensitivity and specificity which necessitate further incorporation of additional diagnostic methods to ensure the accurate staging of liver fibrosis. A doença hepática associada ao vírus da hepatite B (VHB) representa uma séria ameaça para a saúde pública mundial e também no Egipto. A incidência de infecção pelo VHB no Egipto é de aproximadamente 1,4%. Avaliações precisas da fibrose hepática são cruciais na avaliação e no seguimento dos doentes com VHB, no entanto as biópsias tradicionais apresentam limitações, o que justifica a utilização de métodos não invasivos, como a elastografia transitória controlada por vibração (ETCV), que pode não estar disponível em centros de tratamento com recursos limitados. Este estudo teve como objetivo avaliar a precisão diagnóstica do Índice de Fibrose-4 (FIB-4) e do Índice de Razão Aminotransferase/Plaquetas (APRI) em comparação com a ETCV na detecção de fibrose hepática significativa em doentes adultos com VHB crónico, oferecendo potencialmente uma abordagem mais acessível e menos dispendiosa para a gestão da doença. Neste estudo transversal foram incluídos 247 indivíduos com VHB crónico da Unidade de Tratamento de Hepatite Viral da Universidade de Alexandria. Os dados recolhidos incluíram informação demográfica, carga viral do VHB, testes de função hepática, hemograma completo (HC), razão normalizada internacional (RNI), tempo de protrombina, albumina, bilirrubina total e direta, pontuação APRI, pontuação FIB-4, exames de imagem e dados de elastografia transitória controlada por vídeo (ETCV). O software IBM SPSS foi utilizado para a análise estatística, tendo os dados qualitativos e quantitativos sido adequadamente descritos. A regressão logística e as curvas ROC (características de operação do recetor) foram utilizadas para identificar preditores significativos de fibrose avançada e avaliar o desempenho diagnóstico. Com base nos resultados da ETCV, 247 doentes com hepatite B crónica foram classificados em dois grupos: 140 com ausência ou fibrose ligeira (F0/1) e 107 com fibrose significativa (F2-F4). Foram encontradas diferenças significativas nos níveis de hemoglobina, albumina e RNI entre os grupos. Os scores FIB-4 e APRI foram significativamente mais elevados no grupo com fibrose significativa, com uma mediana de score FIB-4 de 1,26 vs 0,79 e uma mediana de score APRI de 0,40 vs 0,27. O índice FIB-4 manteve-se um preditor significativo de fibrose significativa na análise multivariada, com uma razão de probabilidades de 1,558. Com um valor de corte >0,88, o score FIB-4 atingiu uma sensibilidade de 65,42% e uma especificidade de 60,0% na diferenciação entre doentes com e sem fibrose significativa. Embora a utilização do score FIB-4 seja potencialmente útil em ambientes com recursos limitados, um número significativo de classificações incorretas pode ocorrer devido à sua sensibilidade e especificidade moderadas, o que exige a incorporação de métodos de diagnóstico adicionais para garantir o estadiamento preciso da fibrose hepática.
This study aims to analyze research trends and emerging insights into gut microbiota studies from 2015 to 2024 through bibliometric analysis techniques. By examining bibliographic data from the Web of Science (WoS) Core Collection, it seeks to identify key research topics, evolving themes, and significant shifts in gut microbiota research. The study employs co-occurrence analysis, principal component analysis (PCA), and burst detection analysis to uncover latent patterns and the development trajectory of this rapidly expanding field. This study uses a bibliometric approach to analyze 89,512 gut microbiota research articles published between 2015 and 2024 in the WoS Core Collection. Data preprocessing involved cleaning bibliographic data and identifying the 50 most frequent keywords. A co-occurrence matrix was constructed to capture keyword relationships, and a heatmap visualization illustrated these interconnections. PCA applied for dimensionality reduction, visualizing keyword distributions. Burst detection analysis using Kleinberg's algorithm identified rapidly growing research topics. Finally, the study contextualized its findings by linking results to broader research developments and discussing future research directions and potential opportunities. The bibliometric analysis of gut microbiota research from 2015 to 2024 revealed significant trends and emerging themes. The total number of publications on gut microbiota increased approximately 5.82 times during this period, indicating a rapid expansion of the field. Co-occurrence analysis identified key thematic clusters, with "diet", "microbiome", and "immune function" emerging as central research topics. PCA further clarified topic relationships, revealing strong associations between gut microbiota and metabolic diseases, inflammation, and neurological disorders. Burst analysis of key terms demonstrated a shift in research focus, with increasing attention on the role of gut microbiota in precision medicine, neuroinflammation, and host-microbiome interactions. These findings provide a comprehensive overview of gut microbiota research trends, offering insights into critical developments and guiding future investigations into microbiome-based therapies and disease prevention. This study provides a comprehensive bibliometric analysis of gut microbiota research from 2015 to 2024, highlighting key trends and emerging directions. The findings show that gut microbiota studies have expanded to include diet, health, and disease. The strong link between "diet" and "microbiota" in this study suggests dietary interventions are central to this future research. Rapidly growing keywords like "intestinal", "disease", and "mice" indicate a focus on translational and experimental research. These insights reveal the shifting landscape of gut microbiota research and emphasize the need for further exploration of diet-microbiota interactions, personalized nutrition, and clinical applications. Este estudo tem como objetivo analisar as tendências de pesquisa e insights emergentes em estudos sobre a microbiota intestinal de 2015 a 2024, utilizando técnicas de análise bibliométrica. Ao examinar dados bibliográficos da Web of Science (WoS) Core Collection, busca identificar tópicos de pesquisa-chave, temas em evolução e mudanças significativas na pesquisa sobre microbiota intestinal. O estudo emprega análise de coocorrência, análise de componentes principais (PCA) e análise de detecção de explosões para revelar padrões latentes e a trajetória de desenvolvimento desse campo em rápida expansão. Este estudo utiliza uma abordagem bibliométrica para analisar 89.512 artigos de pesquisa sobre microbiota intestinal publicados entre 2015 e 2024 na WoS Core Collection. O pré-processamento dos dados envolveu a limpeza dos dados bibliográficos e a identificação das 50 palavras-chave mais frequentes. Uma matriz de coocorrência foi construída para capturar as relações entre as palavras-chave, e uma visualização em mapa de calor ilustrou essas interconexões. A PCA foi aplicada para redução de dimensionalidade, visualizando distribuições de palavras-chave. A análise de detecção de explosões, utilizando o algoritmo de Kleinberg, identificou tópicos de pesquisa em rápida expansão. Por fim, o estudo contextualizou suas descobertas, ligando os resultados a desenvolvimentos de pesquisa mais amplos e discutindo direções e oportunidades de pesquisa futuras. A análise bibliométrica da pesquisa sobre microbiota intestinal de 2015 a 2024 revelou tendências significativas e temas emergentes. O número total de publicações sobre microbiota intestinal aumentou aproximadamente 5,82 vezes durante este período, indicando uma rápida expansão do campo. A análise de coocorrência identificou clusters temáticos-chave, com “dieta”, “microbioma” e “função imunológica” emergindo como tópicos centrais de pesquisa. A PCA esclareceu ainda mais as relações entre os tópicos, revelando associações fortes entre a microbiota intestinal e doenças metabólicas, inflamação e distúrbios neurológicos. A análise de explosão de termos-chave demonstrou uma mudança no foco da pesquisa, com crescente atenção ao papel da microbiota intestinal na medicina de precisão, neuroinflammation e interações hospedeiro-microbioma. Essas descobertas fornecem uma visão abrangente das tendências de pesquisa sobre microbiota intestinal, oferecendo insights sobre desenvolvimentos críticos e orientando investigações futuras sobre terapias baseadas no microbioma e prevenção de doenças. Este estudo fornece uma análise bibliométrica abrangente da pesquisa sobre microbiota intestinal de 2015 a 2024, destacando tendências e direções emergentes. As descobertas mostram que os estudos sobre microbiota intestinal se expandiram para incluir dieta, saúde e doenças. A forte ligação entre “dieta” e “microbiota” neste estudo sugere que intervenções dietéticas são centrais para essa pesquisa futura. Palavras-chave em rápido crescimento, como “intestinal”, “doença” e “camundongos”, indicam um foco na pesquisa translacional e experimental. Esses insights revelam a paisagem em mudança da pesquisa sobre microbiota intestinal e enfatizam a necessidade de uma exploração mais aprofundada das interações dieta-microbiota, nutrição personalizada e aplicações clínicas.
The incidence and prevalence of disorders such as obesity, metabolic syndrome (MS), and inflammatory bowel disease (IBD) have increased over recent decades. MS is a complex condition represented by a cluster of cardiovascular risk factors with a multifactorial origin-including genetic, behavioral, dietary factors, and alterations in gut microbiota. IBD reflects a complex and heterogeneous immune-mediated condition that typically, though not exclusively, affects the intestine. To evaluate the impact of obesity on the clinical course of IBD in a cohort of patients followed at a referral center for IBD. This was a retrospective longitudinal observational cohort study including patients of both sexes and all ethnicities, followed at the Inflammatory Bowel Disease Referral Center of the University Hospital of the Federal University of Juiz de Fora, between January 2019 and August 2023. A total of 404 adults aged 18 to 80 years with a diagnosis of IBD-established by clinical, endoscopic/histological, and/or imaging criteria-were included. IBD cases were classified as either Crohn's disease (CD) or ulcerative colitis (UC). To assess DII annual activity, electronic medical records were reviewed for outpatient visits and hospitalizations from 2019 to 2023. CD was considered active when the Harvey-Bradshaw Index (HBI) was ≥5, and UC was considered active when the total Mayo score was ≥3 or the partial Mayo score was ≥2. The mean age at IBD diagnosis was 37.79±13.44 years, with an average disease duration of 12.50±8.3 years. Biologic therapy was used in the majority of patients (58.4%), with treatment failure occurring in 56.8% of these cases during the study period. No statistically significant differences were observed in most outcomes, except for a higher frequency of biologic use in non-obese patients with CD (P=0.028). There was a trend toward a greater number of years with active disease in obese patients with CD (P=0.062). IBD patients with obesity were predominantly female. Among those with CD, the phenotype was mainly non-stricturing, non-penetrating, with a clinical course characterized by greater disease activity over time, suggesting that obesity may be an unfavorable factor for disease control. This trend was not observed among patients with UC. A incidência e prevalência de desordens como obesidade, síndrome metabólica (SM) e doença inflamatória intestinal (DII) aumentaram nas últimas décadas. A SM é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular, tendo origem multifatorial: envolve fatores genéticos, padrões comportamentais e dietéticos, e alterações na microbiota intestinal. A DII reflete uma condição imuno mediada complexa e heterogênea que tipicamente, mas não exclusivamente, afeta o intestino. Avaliar o impacto da obesidade no curso clínico da DII em uma coorte de pacientes acompanhados em um centro de referência em DII. Trata-se de estudo de coorte observacional longitudinal retrospectivo, que incluiu pacientes de ambos os sexos e de qualquer etnia, acompanhados no Centro de Referência em Doenças Inflamatórias Intestinais do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), no período compreendido entre janeiro de 2019 a agosto de 2023.Foram incluídos 404 adultos entre 18 e 80 anos, utilizando-se de alguns critérios de exclusão, que possuíam o diagnóstico de DII, estabelecido por critérios clínicos, endoscópicos/histológicos e/ou de imagem. Quanto ao tipo de DII, foi dividido em DC ou RCU. Para avaliação da atividade da doença, foram analisados os registros eletrônicos de cada paciente durante suas consultas ambulatoriais ou hospitalizações entre os anos de 2019 e 2023, sendo que, para DC, foi considerado como atividade de doença HBI ≥5, e para RCU, quando classificado pelo Mayo total, foi considerada atividade de doença quando Mayo total ≥3, e quando analisado pelo Mayo parcial, atividade com Mayo parcial ≥2. A média de idade ao diagnóstico de DII foi de 37,79±13,44 anos e média de duração da doença de 12,50±8,3 anos. A terapia biológica foi empregada na maioria dos pacientes (58,4%), sendo que houve falha da terapia em 56,8% desses pacientes durante o período analisado. Não foi observada diferença estatisticamente significante nos diversos desfechos analisados, exceto no uso de biológicos mais frequente em pacientes com DC não obesos (P=0,028). Houve uma tendência para maior número de anos com atividade da doença em pacientes obesos com DC (P=0.062). Foi possível concluir que pacientes com DII e obesidade eram predominantemente mulheres. Aqueles com DC apresentaram fenótipo principalmente inflamatório e curso evolutivo caracterizado por maior atividade de doença ao longo do seguimento, sugerindo que a obesidade pode ser um fator desfavorável para o controle da DC. A mesma tendência não foi observada entre os pacientes com RCU.
COVID-19, caused by SARS-CoV-2, is primarily characteri-zed by respiratory symptoms but also significantly affects the gastrointestinal (GI) tract and liver. Emerging evidence suggests that GI and hepatic manifestations may influence disease severity and outcomes. In Brazil, where disparities between public and private healthcare systems are pronounced, understanding these associations is crucial for optimizing patient management. This study aimed to evaluate the frequency and prognostic implications of digestive and hepatic injuries in hospitalized COVID-19 patients. To analyze the frequency of hepatic and gastrointestinal injuries and their association with outcomes (discharge or death). A retrospective cross-sectional study analyzed 3,555 patients from 50 private hospitals in Brazil (March-December 2020). Inclusion criteria were age ≥18 years, RT-PCR-confirmed COVID-19, and written consent. Demographic data, comorbidities, GI symptoms (diarrhea, nausea/vomiting, abdominal pain), liver enzymes (ALT, AST), and outcomes (discharge, mortality, ICU admission) were collected via REDCap. Statistical analyses included logistic regression to identify mortality predictors. Among 3,555 patients (59.9% male, mean age 55.8 years). A total of 42.2% of patients presented with at least one gastrointestinal (GI) symptom at admission. Diarrhea was reported in 15%, nausea or vomiting in 13.6%, and abdominal pain in 6.5%, with symptom overlap among patients. The deceased group exhibited significantly higher alanine aminotransferase (ALT) (p=0.019) and aspartate aminotransferase (AST) (p=0.026) levels, representing 4.2- and 8.4-fold increases, respectively, with a higher AST/ALT ratio in fatal cases (1.69 vs 0.84). COVID-19 patients in Brazilian private hospitals showed hepatic abnormalities (AST 354.1 IU/L vs 42.1 IU/L in deceased vs discharged patients, P=0.026), with diarrhea associated with lower mortality (OR 0.61; 95%CI 0.42-0.88), while chronic liver disease (OR 2.95; 95%CI 1.35-6.41) and hypoalbuminemia (OR 0.22; 95%CI 0.11-0.38) emerged as independent predictors of death. Hepatic abnormalities and gastrointestinal symptoms are important markers of COVID-19 severity. Diarrhea, liver enzyme alterations, and serum albumin levels were significant predictors of mortality. Future strategies should prioritize hepatic monitoring, nutritional support, and healthcare equity through targeted interventions for high-risk groups, particularly in resource-limited settings. A COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, é caracterizada principalmente por sintomas respiratórios, mas também afeta significativamente o trato gastrointestinal (GI) e o fígado. Evidências recentes sugerem que manifestações GI e hepáticas podem influenciar a gravidade e os desfechos da doença. No Brasil, onde as disparidades entre os sistemas de saúde público e privado são acentuadas, compreender essas associações é crucial para otimizar o manejo dos pacientes. Este estudo teve como objetivo avaliar a frequência e as implicações prognósticas das lesões digestivas e hepáticas em pacientes hospitalizados com COVID-19. Analisar a frequência de lesões hepáticas e gastrointestinais e sua associação com desfechos (alta ou óbito). Estudo transversal retrospectivo que analisou 3.555 pacientes de 50 hospitais privados do Brasil (março-dezembro/2020). Os critérios de inclusão foram idade ≥18 anos, confirmação de COVID-19 por RT-PCR e consentimento por escrito. Dados demográficos, comorbidades, sintomas GI (diarreia, náuseas/vômitos, dor abdominal), enzimas hepáticas (ALT, AST) e desfechos (alta, mortalidade, admissão em UTI) foram coletados via REDCap. Análises estatísticas incluíram regressão logística para identificar preditores de mortalidade. Dos 3555 pacientes (59,9% homens, média de idade de 55,8 anos), 42,2% apresentaram sintomas GI na admissão, sendo os mais comuns: diarreia (35,6%) e náuseas/vômitos (32,4%). O grupo de óbito apresentou níveis mais elevados de alanina aminotransferase (ALT) (P=0,019) e aspartato aminotransferase (AST) (P=0,026), representando aumentos de 4,2 e 8,4 vezes, respectivamente; sendo a razão AST/ALT maior nos casos fatais (1,69 vs 0,84). Os pacientes hospitalizados por COVID-19 em hospitais privados brasileiros apresentaram alterações hepáticas (AST 354,1 vs 42,1 em pacientes falecidos vs que obtiveram alta, P=0,026), com diarreia associada a menor mortalidade (OR 0,61; IC95% 0,42-0,88) e doença hepática crônica (OR 2,95; IC95% 1,35-6,41) e hipoalbuminemia (OR 0,22; IC95% 0,11-0,38) como preditores independentes de óbito. Alterações hepáticas e sintomas gastrointestinais são marcadores importantes de gravidade na COVID-19. Diarreia, alteração de enzimas hepáticas e albumina sérica foram importantes preditores de mortalidade. Estratégias futuras devem priorizar monitoramento hepático, suporte nutricional, e equidade no sistema de saúde por meio de intervenções direcionadas a grupos de alto risco, especialmente em locais com recursos limitados.
Pancreatic cancer (PC) is a highly lethal malignancy with rising incidence and mortality rates, although its burden remains poorly investigated in Brazil. Understanding its regional and sex-specific trends is critical for tailoring public health interventions and mitigating the disease's impact in the Brazilian population. This study aimed to evaluate the temporal trends in PC mortality among Brazilian individuals between 1980 and 2023 and its alignment with the global projections. This retrospective, population-based ecological study analyzed PC mortality data using the Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) and demographic data from the Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Annual Percent Change (APC) calculations were performed to assess temporal trends by Brazilian geographic regions and sex, accounting for demographic shifts over time. A total of 257,671 PC-related deaths occurred during the study period, averaging 5,856 deaths per year. The overall mortality trend for PC in Brazil showed a continuous increase of (APC: 1.23; 95%CI: 1.16-1.32; P-value <0.01). Regional analyses revealed significant increases in the North (APC: 2.32), South (APC: 0.59), and Midwest (APC: 1.45) regions. Sex-specific trends indicated a steady increase for women throughout the period, while men experienced alternating phases of rising and stationary trends. PC mortality in Brazil has risen significantly over the past four decades, with marked regional and sex-specific disparities, aligning with global perspectives. These findings highlight the need for targeted PC prevention, early detection, and equitable access to high-quality cancer care, particularly in vulnerable regions and populations. O câncer de pâncreas (CP) é uma neoplasia altamente letal, com incidência e mortalidade crescentes em todo o mundo. Apesar de seu impacto significativo, a carga da doença permanece pouco investigada no Brasil, especialmente quanto às diferenças regionais e entre sexos, aspectos fundamentais para orientar estratégias de saúde pública. Avaliar as tendências temporais da mortalidade por câncer de pâncreas no Brasil entre 1980 e 2023 e verificar seu alinhamento com as projeções epidemiológicas globais. Estudo ecológico retrospectivo de base populacional utilizando dados de mortalidade do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os óbitos por câncer de pâncreas foram identificados pelos códigos ‘157 da CID-9 e C25 da CID-10. As tendências temporais foram avaliadas por meio do cálculo da Variação Percentual Anual (Annual Percent Change - APC) utilizando análise de joinpoint, estratificada por sexo e regiões geográficas do Brasil. Entre 1980 e 2023 foram registrados 257.671 óbitos por câncer de pâncreas no Brasil, com média anual de 5.856 mortes. Observou-se tendência global crescente de mortalidade ao longo de todo o período analisado (APC: 1,23; IC95%: 1,16-1,32; p<0,01). Nas análises regionais, foram identificadas tendências significativas de aumento nas regiões Norte (APC: 2,32), Sul (APC: 0,59) e Centro-Oeste (APC: 1,45). Entre os sexos, as mulheres apresentaram aumento contínuo da mortalidade ao longo de todo o período, enquanto os homens apresentaram fases alternadas de crescimento e estabilidade nas taxas de mortalidade. A mortalidade por câncer de pâncreas no Brasil aumentou significativamente nas últimas quatro décadas, com importantes disparidades regionais e diferenças entre os sexos. Esses achados acompanham as tendências observadas globalmente e destacam a necessidade de estratégias direcionadas de prevenção, diagnóstico precoce e ampliação do acesso equitativo ao cuidado oncológico, especialmente em regiões e populações mais vulneráveis.
Cancer is a malignant disease characterized by the accumulation of genetic alterations with uncontrolled cell growth. In 2022, approximately 20 million new cancer cases and nearly 10 million deaths occurred globally. Cancer patients are at high risk for malnutrition due to the disease and treatment. Sarcopenia can negatively affect clinical outcomes and is associated with a higher likelihood of adverse results, including falls, fractures, low physical performance, and mortality. The aim of this study was to determine whether ultrasound of the gastrocnemius muscle can be a method for detecting the risk or presence of sarcopenia in patients with digestive system cancer. This is a cross-sectional study conducted with patients diagnosed with digestive system cancer, aged 18 years or older, undergoing treatment. The 2018 EWGSOP algorithm was used to evaluate sarcopenia, and participants were classified into two groups: one group at risk for sarcopenia or sarcopenic and another group as non-sarcopenic. A portable ultrasound (BodyMetrix™ BX2000 ultrasound) was used to measure the thickness of the gastrocnemius muscle. The diagnostic performance of ultrasound (US) and calf circumference (CC) in detecting sarcopenia was evaluated by the area under the ROC curve. The area under the curve for US was 0.940, with 80% sensitivity and 100% specificity, and for CC, it was 0.889, with 72% sensitivity and 95% specificity. We found a negative correlation between the measure of the gastrocnemius muscle by ultrasound (US) and Sarc-CalF, and a positive correlation between the US and calf circumference (CC). The evaluated method shows potential for clinical application, suggesting it could be a fast and sensitive clinical tool. However, further studies are needed to establish robust evidence base and achieve a more accurate sarcopenia diagnosis for early multidisciplinary intervention. O câncer é uma doença maligna caracterizada pelo acúmulo de alterações genéticas com crescimento celular descontrolado. Em 2022, ocorreram aproximadamente 20 milhões de novos casos de câncer e cerca de 10 milhões de mortes em todo o mundo. Pacientes com câncer apresentam alto risco de desnutrição devido à própria doença e ao tratamento. A sarcopenia pode impactar negativamente os desfechos clínicos e está associada a uma maior probabilidade de resultados adversos, incluindo quedas, fraturas, baixo desempenho físico e mortalidade. O objetivo deste estudo foi determinar se o exame de ultrassonografia do músculo gastrocnêmio pode ser um método para detectar o risco ou a presença de sarcopenia em pacientes com câncer do sistema digestivo. Trata-se de um estudo transversal realizado com pacientes diagnosticados com câncer do sistema digestivo, com 18 anos ou mais, em tratamento. Foi utilizado o algoritmo da EWGSOP de 2018 para avaliar a sarcopenia, e os participantes foram classificados em dois grupos: um grupo em risco de sarcopenia ou sarcopênico e outro grupo como não sarcopênico. Utilizou-se um aparelho portátil de ultrassom (ultrassom BodyMetrix™ BX2000) para medir a espessura do músculo gastrocnêmio. O desempenho diagnóstico da ultrassonografia (US) e da circunferência da panturrilha (CC) na detecção de sarcopenia foi avaliado pela área sob a curva ROC. A área sob a curva para a US foi de 0,940, com 80% de sensibilidade e 100% de especificidade; para a CC, foi de 0,889, com 72% de sensibilidade e 95% de especificidade. Observou-se uma correlação negativa entre a medida do músculo gastrocnêmio por ultrassom e o Sarc-CalF, e uma correlação positiva entre a US e a circunferência da panturrilha. O método avaliado demonstra potencial para aplicação clínica, sugerindo ser uma ferramenta clínica rápida e sensível. No entanto, mais estudos são necessários para estabelecer uma base de evidências robusta e alcançar um diagnóstico de sarcopenia mais preciso, possibilitando intervenção multidisciplinar precoce.
Due to the potential risk for chronic and severe progression, hepatitis B virus (HBV) infection requires antiviral medications, such as Tenofovir (TDF) and Entecavir (ETV), to reduce the HBV viral load and prevent the risk of liver cirrhosis and hepatocellular carcinoma (HCC). The PAGE-B score is a simple and reliable tool for assessing the risk of developing HCC, although it has not yet been validated in Brazil. To validate the PAGE-B risk score for predicting HCC development in HBV carriers in Brazil. To analyze the association between the PAGE-B score and demographic, laboratory, and HBV treatment variables. An observational cohort. retrospective study. Study sample - 659 individuals with chronic HBV mono-infection treated with antivirals for at least 3 years at two reference centers in Brazil's Northeast and Amazon regions. The PAGE-B score was used to analyze its association with sex, age, and platelet count, classifying each patient's HCC risk as low, moderate, or high. The mean PAGE-B score was 12.77±5.63. PAGE-B scores were classified as low, moderate, and high in 206 (31.2%), 287 (43.5%), and 166 (25.3%) individuals, respectively. Among the 659 patients, 31 (4.7%) developed HCC, a higher frequency than reported in PAGE-B score validation studies from other countries. Of these patients, 29 were male, with a mean age of 57.4±12.6 years and lower platelet levels (<200,000 10³/mL). Patients who developed HCC had fibrosis stages: F0-F1:6 (19.3%); F2:2 (6.4%); F3:2 (6.4%); and F4:21 (67.7%). High-risk patients were treated with ETV (n=129, 32%) versus TDF (n=37, 14,4%), P<0.00. The PAGE-B score demonstrated, in the Brazilian population, a performance similar to that observed in studies with European and Asian populations in terms of sensitivity, specificity, and predictive values for HCC prediction. Based on these results, the PAGE-B score can be used in the Brazilian population to predict the risk of HCC. A infecção pelo vírus da hepatite B (VHB) por ter uma evolução em forma crônica e grave, recomenda-se o uso de medicamentos antivirais, Tenofovir (TDF) e Entecavir (ETV) para reduzir a carga viral do VHB e prevenir risco de cirrose hepática e carcinoma hepatocelular (CHC). Para avaliar o risco de desenvolver CHC, o escore PAGE-B é simples e confiável e ainda não foi validado no Brasil. Validar o escore de risco PAGE-B para predição do desenvolvimento de CHC em portadores de VHB no Brasil; Analisar a associação entre o escore PAGE-B e variáveis demográficas, laboratoriais e de tratamento do VHB. Um estudo de coorte observacional e retrospectivo. Amostra do estudo: 659 indivíduos com VHB crônica mono-infectados tratados com antivirais por no mínimo 3 anos em 2 centros de referência do Nordeste e Amazônia do Brasil. A pontuação do escore PAGE-B foi utilizada para analisar sua associação com sexo, idade e contagem de plaquetas e classificou-se o risco de cada paciente desenvolver CHC como baixo, moderado e alto. O Escore PAGE-B teve média 12,77±5,63. O escore PAGE-B foi baixo, moderado e alto em 206 (31,2%), 287 (43,5%) e 166 (25,3%) indivíduos, respectivamente. Dentre os 659 pacientes, 31 (4,7%) desenvolveram CHC, uma frequência maior do que a relatada em estudos de validação de pontuação PAGE-B de outros países. Nestes pacientes, 29 eram maior no sexo masculino, idade média de 57,4±12,6, com níveis mais baixos de plaquetas (<200.000 103/mL). Os pacientes que desenvolveram CHC tiveram grau de fibrose: (F0-F1) 6 (19,3%); (F2) 2 (6,4%); (F3) 2 (6,4%); e (F4) 21 (67,7%). Os pacientes de alto risco foram tratados com ETV n= 129 (32%) versus TNF: n= 37 (14,4%) P<0,001. O escore PAGE-B demonstrou, na população brasileira, desempenho semelhante ao observado em estudos com populações europeias e asiáticas em termos de sensibilidade, especificidade e valores preditivos para predição de CHC. Com base nesses resultados, o escore PAGE-B pode ser utilizado na população brasileira para predizer o risco de CHC.
Chemotherapy-induced diarrhea is a common and distressing side effect experienced by patients undergoing cancer treatment, particularly those with gastrointestinal cancer. It can lead to significant health complications, including dehydration, electrolyte imbalances, and treatment interruptions. Recent studies have shown that the gut microbiome plays an important role in the development and severity of chemotherapy-induced diarrhea. Modulating the gut microbiome with probiotics has emerged as a potential strategy for preventing and managing chemotherapy-induced diarrhea. In this study we aimed to evaluate the efficacy of one probiotic containing a mixture of several strains of Lactobacillus and Bifidobacterium species in prevention of chemotherapy induced diarrhea among patients with gastrointestinal cancer. Between April 2022 and June 2024, a total of 28 patients diagnosed with gastrointestinal cancer who were intended to receive chemotherapy based on fluoropyrimidine, oxaliplatin, and/or irinotecan were randomized in a ratio 1:1 to receive either a placebo or 20 billion colony-forming units (CFU) of a mixture containing five viable strains including 335 mg of Lactobacillus acidophilus NCFM®, Lactobacillus paracasei Lpc-37TM, Bifidobacterium lactis Bi-04TM, Bifidobacterium lactis Bi-07TM, and Bifidobacterium bifidum Bb-02TM. Patients were instructed to take the product orally once daily for 90 days and to record their bowel habits in a diary using the Bristol stool scale. The use of probiotics, compared to placebo, did not result in reduction of grade 2/3 diarrhea episodes (placebo arm 55.56% vs probiotic arm 44.44%; P=1). Likewise, no statistically significant difference was observed in the overall incidence of diarrhea between the two groups (71.43% vs 64.29%; P=1). The median number of diarrhea episodes during the 90-day follow-up tended to be lower in the probiotic group (eight episodes) compared to the placebo group (9 episodes) (P=0.639) Subgroup analyses failed to identify any specific patient characteristics that associated any benefit from the probiotic use, regardless of diarrhea grade. Also, no infections related to the probiotic strains administered in this study were detected. Probiotic in comparison to a placebo did not result in a statistically significant effect, suggesting a lack of benefit of administered probiotic for prevention of chemotherapy induced diarrhea among patients with gastrointestinal cancer. A diarreia induzida por quimioterapia é um efeito colateral comum e debilitante experimentado por pacientes em tratamento contra o câncer, particularmente aqueles com câncer gastrointestinal. Pode levar a complicações de saúde significativas, incluindo desidratação, desequilíbrios eletrolíticos e interrupções no tratamento. Estudos recentes mostraram que o microbioma intestinal desempenha um papel importante no desenvolvimento e na gravidade da diarreia induzida por quimioterapia. A modulação do microbioma intestinal através do uso de probióticos emergiu como uma estratégia potencial para a prevenção e manejo da diarreia induzida por quimioterapia. Neste estudo, nosso objetivo foi avaliar a eficácia de um probiótico contendo uma mistura de cepas das espécies de Lactobacillus e Bifidobacterium na prevenção da diarreia induzida por quimioterapia em pacientes com câncer gastrointestinal. Entre abril de 2022 e junho de 2024, um total de 28 pacientes diagnosticados com câncer gastrointestinal que deveriam receber quimioterapia baseada em fluoropirimidina, oxaliplatina e/ou irinotecano foram randomizados na proporção de 1:1 para receber placebo ou 20 bilhões de unidades formadoras de colônia (CFU) de uma mistura contendo cinco cepas viáveis, incluindo 335 mg de Lactobacillus acidophilus NCFM®, Lactobacillus paracasei Lpc-37™, Bifidobacterium lactis Bi-04™, Bifidobacterium lactis Bi-07™ e Bifidobacterium bifidum Bb-02™. Os pacientes foram instruídos a tomar o produto oralmente uma vez ao dia por 90 dias e a registrar seus hábitos intestinais em um diário usando a escala de fezes de Bristol. O uso de probióticos comparado ao placebo não resultou na redução de episódios de diarreia grau 2/3 (grupo placebo 55.56% vs grupo probiótico 44.44%; P=1). De mesma forma, nenhuma diferença estatisticamente significativa foi observada na incidência global de diarreia entre os dois grupos (71.43% vs 64.29%; P=1). A mediana de números de episódios de diarreia durante os 90 dias de acompanhamento apresentou uma tendência a ser menor no grupo probiótico (oito episódios) quando comparado ao grupo placebo (P=0.639). A análise de subgrupo falhou em identificar alguma característica específica que estivesse associada a qualquer benefício do uso do probiótico. Nenhuma infecção associada às cepas probióticas administradas no estudo foi detectada. O probiótico em comparação ao placebo não resultou em um efeito estatisticamente significativo no controle da diarreia, sugerindo a falta de benefício do probiótico administrado para a prevenção da diarreia induzida por quimioterapia em pacientes com câncer gastrointestinal.
Crohn's disease (CD) is a chronic inflammatory disease, with a heterogeneous clinical course, which can affect any segment of the gastrointestinal tract. Data on the natural history of CD in developing countries are rare. to delineate the clinical, epidemiological, and longitudinal characteristics of CD patients at a Brazilian referral center. this is an observational, cohort, retrospective study, carried out from the collection of data obtained from the medical records of individuals diagnosed with CD followed up in the period between 1991 and 2021. A total of 328 participants were included, 54.3% female. The median age at diagnosis was 31 years [interquartile range (IQR)=14-45]. At diagnosis, there was a predominance of the stricturing form (38.7%) and ileocolonic location (53.7%). Among the patients with the inflammatory form, 10.8% evolved to the stricturing or penetrating forms, and the time they remained with uncomplicated disease had a median of 6 years (IQR=0-13). Aminosalicylates were used in 70.7% of the patients, but there has been a reduction in their use in the last 15 years (P=0.04). Corticosteroids were used in 90.2% of the participants, with a median time of use of 12 months (IQR=0-36). Immunosuppressants were used in 93.9% of participants. Two hundred and ten patients (64%) received treatment with immunobiological. The median interval between diagnosis and initiation of biological therapy was 24 months (IQR=12-60). One hundred and eighty-nine patients (57.6%) were hospitalized during follow-up, and the median hospital stay was 20 days (IQR=11-36). In the last 15 years, there was a decrease in the hospitalization rate (P<0.001), but there was no change in the number of hospitalizations per patient (P=0.62). One hundred and fifty-two patients (46.3%) underwent surgical treatment during the period evaluated and the most frequently performed surgeries were enterectomies (26.8%) and perianal procedures (25%). In the last 15 years, there has been a decrease in the rate of surgeries (P=0.04) and in the number of surgeries per patient (P<0.001). The data presented indicate a high prevalence of complicated CD at the onset of follow-up, alongside a significant percentage of corticosteroid use and hospitalization. However, over the past 15 years, there has been a notable reduction in hospitalization rates, surgical rates, and the number of surgeries per patient. A doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória crônica, de curso clínico heterogêneo, que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal. Há escassez de dados sobre a história natural da DC nos países em desenvolvimento. Descrever as características clínicas, epidemiológicas e evolutivas de portadores de DC em um centro de referência brasileiro. Trata-se de estudo observacional, de coorte, retrospectivo, realizado a partir da coleta de dados obtidos em prontuários de indivíduos diagnosticados com DC, acompanhados no período entre 1991 e 2021. Foram incluídos 328 participantes, sendo 54,3% do sexo feminino. A mediana de idade ao diagnóstico foi de 31 anos [intervalo interquartil (IQR)=14-45]. Ao diagnóstico, houve predomínio da forma estenosante (38,7%) e localização ileocolônica (53,7%). Dentre os pacientes com a forma inflamatória, 10,8% evoluíram para as formas estenosante ou penetrante, e o tempo que permaneceram com doença não complicada teve mediana de 6 anos (IQR=0-13). Os aminossalicilatos foram empregados em 70,7% dos pacientes, mas houve redução de sua utilização nos últimos 15 anos (P=0,04). Os corticoides foram utilizados em 90,2% dos participantes, com mediana do tempo de uso de 12 meses (IQR=0-36). Os imunossupressores foram usados em 93,9% dos participantes. Duzentos e 10 pacientes (64%) receberam tratamento com imunobiológicos. O intervalo entre o diagnóstico e o início da terapia biológica teve mediana de 24 meses (IQR=12-60). Cento e oitenta e nove pacientes (57,6%) foram hospitalizados durante o seguimento, e a mediana de permanência hospitalar foi de 20 dias (IQR=11-36). Nos últimos 15 anos houve diminuição da taxa de hospitalização (P<0,001), mas não houve alteração do número de hospitalização por paciente (P=0,62). Cento e cinquenta e dois pacientes (46,3%) foram submetidos a tratamento cirúrgico no período avaliado. Nos últimos 15 anos houve diminuição da taxa de cirurgias (P=0,04) e do número de cirurgias por paciente (P<0,001). Os dados apresentados mostram elevado índice de DC complicada no início do seguimento, de uso de corticoides e de hospitalização. No entanto, nos últimos 15 anos observou-se redução da taxa de hospitalização, da taxa de cirurgias e do número de cirurgias por paciente.
To verify the effect of physical exercise on the quality of life of patients with liver cirrhosis (LC). the sample included controlled and randomized experimental studies of individuals with LC, at any stage of the disease, over 18 years of age, of both sexes, who performed any type of physical exercise compared to any other intervention or no intervention, with quality of life as the outcome assessed by the Chronic Liver Disease Questionnaire (CLDQ). The search for articles was conducted in 11 databases. The descriptors considered for the search were physical exercise, quality of life, liver cirrhosis, and their synonyms. The methodological quality and study bias were assessed using the Jadad scale and the RoB 2 scale, respectively. Review Manager 5.4 was used for the meta-analysis of the data. Quality of life was considered a continuous variable. The mean difference was considered as the effect measure. The analysis model was fixed-effect. The confidence level adopted was .05. The level of evidence for the meta-analysis results was assessed using the GRADE tool. A meta-analysis of five studies, in which 153 participants with LC, of which 83 belonged to the physical exercise group and 70 to the control group, showed that the experimental group that performed physical exercise significantly increased quality of life by 0.46 [0.09 to 0.84]; P=.02. The level of evidence of the meta-analysis was considered high. Physical exercise led to an improvement in the health-related quality of life of patients with LC. Verificar o efeito do exercício físico na qualidade de vida de pacientes com cirrose hepática (CH). A amostra incluiu estudos experimentais controlados e randomizados de indivíduos com CH, em qualquer estágio da doença, maiores de 18 anos, de ambos os sexos, que realizaram qualquer tipo de exercício físico comparado a qualquer outra intervenção ou nenhuma intervenção, tendo como desfecho a qualidade de vida avaliada pelo questionário de doença crônica do fígado Chronic Liver Disease Questionnaire (CLDQ). A busca dos artigos foi realizada em 11 bases de dados. Os descritores considerados para a busca foram exercício físico, qualidade de vida, cirrose hepática e seus sinônimos. A qualidade metodológica e o viés do estudo foram avaliados por meio da escala de Jadad e da escala RoB 2, respectivamente. O Review Manager 5.4 foi utilizado para a metanálise dos dados. A qualidade de vida foi considerada uma variável contínua. A diferença média foi considerada como medida de efeito. O modelo de análise foi de efeito fixo. O nível de confiança adotado foi de 0,05. O nível de evidência dos resultados da metanálise foi avaliado por meio da ferramenta GRADE. A metanálise de cinco estudos, que apresentou 153 participantes com CH, dos quais 83 pertenciam ao grupo de exercícios físicos e 70 ao grupo controle, mostrou que o grupo experimental que realizou exercícios físicos aumentou significativamente a qualidade de vida em 0,46 [0,09 a 0,84]; P=0,02. O nível de evidência da metanálise foi considerado alto. O exercício físico levou a uma melhora na qualidade de vida relacionada à saúde de pacientes com CH.
Gastrointestinal bleeding (GIB) is one of the leading causes of hospitalization attributed to digestive disorders. Little is known about etiology and outcomes of GIB and temporal trends in the incidence of upper GIB (UGIB) and lower GIB (LGIB) in Brazil. To investigate the main causes and mortality of patients admitted to a tertiary care hospital in Brazil with UGIB and LGIB, as well as to assess trends in epidemiology and outcomes of GIB over time. All patients admitted to the Gastrointestinal (GI) Unit of the Portuguese Hospital of Salvador, Bahia, Brazil with the diagnosis of GIB between January 2012 and December 2023 were retrospectively investigated. All patients with GIB were classified as non-variceal (NUGIB), variceal (VUGIB) UGIB and LGIB according to standard criteria and managed according to an institutional protocol. Demographics, type and etiology of GIB and in-hospital mortality were evaluated in two different periods, between 2012-2017 (period 1) and 2018-2023 (period 2). 2.145 patients (1.214 males, mean age 70+16 years) were admitted, 1.185 in period 1 and 960 in period 2. Most of the patients had hematochezia and melena. NUGIB, VUGIB, LGIB and mid-GIB were observed in 37.5%, 14.4%, 40.3% and 5.6% of the patients, respectively. The remaining 47 subjects were not investigated due to advanced age or comorbidity. The most common etiologies for UGIB and LGIB were, respectively, esophagogastric varices (EV), duodenal (DU) and gastric ulcer (GU), and colonic diverticular disease (CDD), actinic proctocolitis (APC) and hemorrhoids (HE). Changes in the frequency of LGIB (42.1% vs 38.0% in period 2, P<0.0001) and mid-GIB (3.8% vs 7.9% in period 2, P<0.0001) were recorded over time. Age (68.7+15.6 vs 71+15.7 years in period 2, P=0.001) and gender (54,1% vs 59.1% of males in period 2, P=0.01) were also shown to vary as well as a significant decrease in mortality in recent years (14,2% vs 10.1% of deaths in period 2, P=0.005). EV, DU, GU and CDD, APC and HE were the most frequent causes of UGB and LGIB, respectively. Shifts in demographics, frequency of LGIB and mid-GIB and mortality were demonstrated in recent years. Hemorragia digestiva (HD) é uma das principais causas de hospitalização atribuída ao trato gastrointestinal. Pouco se sabe sobre a frequência das etiologia e seus desfechos, assim como as tendências temporais na incidência de HD alta (HDA) e baixa (HDB) no Brasil. Investigar as principais causas e mortalidade de pacientes internados em um hospital terciário no Brasil com HDA e HDB, bem como avaliar as tendências epidemiológicas e os desfechos ao longo do tempo. Todos os pacientes internados na Unidade de Gastro-Hepatologia (UGH) do Hospital Português de Salvador, Bahia, Brasil, com diagnóstico de HD entre janeiro de 2012 e dezembro de 2023 foram investigados retrospectivamente. Os pacientes foram classificados como HDA, HDB, HDA não varicosa (HDANV) e HDA varicosa (HDAV) de acordo com os critérios padrão e tratados de acordo com um protocolo institucional. Dados demográficos, tipo e etiologia da HD e mortalidade hospitalar foram avaliados em dois períodos diferentes, entre 2012-2017 (período 1) e 2018-2023 (período 2). 2.145 pacientes (1.214 homens, idade média 70+16 anos) foram admitidos, 1.185 no período 1 e 960 no período 2. A maioria dos pacientes tinha hematoquezia e melena. HDANV, HDAV, HDB e HD média foram observadas em 37,5%, 14,4%, 40,3% e 5,6% dos pacientes, respectivamente. Os 47 indivíduos restantes não foram investigados devido à idade avançada ou comorbidades. As etiologias mais comuns para HDA e HDB foram, respectivamente, varizes esofagogástricas (VE), úlcera duodenal (UD) e gástrica (UG), e doença diverticular colônica (DDC), proctocolite actínica (PAC) e hemorróidas (HE). Mudanças na frequência de HDB (42,1% vs 38,0% no período 2, P<0,0001) e HD média (3,8% vs 7,9% no período 2, P<0,0001) foram registradas ao longo do tempo. Idade (68,7+15,6 vs 71+15,7 anos no período 2, P=0,001) e sexo (54,1% vs 59,1% dos homens no período 2, P=0,01) também apresentaram variações, bem como uma redução significativa na mortalidade nos últimos anos (14,2% vs 10,1% dos óbitos no período 2, P=0,005). EV, UD, UG e DDC, PAC e HE foram as causas mais frequentes de HDA e HDB, respectivamente. Mudanças na demografia, frequência de HDB e HD média e mortalidade foram demonstradas nos últimos anos.
Ulcerative colitis (UC) is a chronic inflammatory bowel disease that requires advanced therapies, including infliximab, vedolizumab, and tofacitinib. Our aim is to understand the hospitalization rates and outcomes associated with these therapies in real-world scenarios, which is crucial for optimizing patient management and healthcare resource allocation. This nationwide retrospective observational study analyzed real-world data (RWD) from Brazil's public healthcare system (SUS) between January 2021 and December 2023. Data on hospitalizations, length of stay, mortality, costs, and non-IBD-related hospital admissions were extracted and analyzed using the Techtrials TT Disease Explorer and TT RWE Generator, leveraging generative artificial intelligence (GenAI) for data integration and analysis. A total of 1,313 patients required hospitalization, with 1,434 hospitalizations recorded. The hospitalization rate per 100 patients was highest for tofacitinib (262.5), followed by infliximab (212.88) and vedolizumab (191.67). Patients treated with infliximab had the shortest hospital stay (Median 3.0 days [0-68]) and lowest costs (Median 510.83 BRL [23.45 - 111,594.14]), whilst vedolizumab had the highest hospitalization costs. Surgical intervention rates were highest among tofacitinib users. Non-IBD-related hospitalizations suggested potential adverse drug events, including gastrointestinal disorders, infections, and anemia. This study represents the first AI-assisted RWE analysis of UC hospitalizations in Brazil. The findings highlight the varying hospitalization burdens across advanced therapies, with tofacitinib associated with higher hospitalization rates and infliximab linked to shorter hospital stays and lower costs. These insights can inform clinical decision-making and healthcare policy. Future studies should further explore AI's role in optimizing RWE research and UC management. A retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que requer terapias avançadas, incluindo infliximabe, vedolizumabe e tofacitinibe. Nosso objetivo é compreender as taxas de hospitalização e os desfechos associados a essas terapias em cenários de mundo real, o que é fundamental para otimizar o manejo dos pacientes e a alocação de recursos em saúde. Este estudo observacional retrospectivo de âmbito nacional analisou dados de mundo real (RWD) do sistema único de saúde (SUS) do Brasil entre janeiro de 2021 e dezembro de 2023. Dados sobre hospitalizações, tempo de internação, mortalidade, custos e admissões hospitalares não relacionadas à DII foram extraídos e analisados utilizando o Techtrials TT Disease Explorer e o TT RWE Generator, com o uso de inteligência artificial generativa (GenAI) para integração e análise dos dados. Um total de 1.313 pacientes necessitou de hospitalização, com 1.434 internações registradas. A taxa de hospitalização por 100 pacientes foi mais alta para tofacitinibe (262,5), seguida por infliximabe (212,88) e vedolizumabe (191,67). Pacientes tratados com infliximabe apresentaram o menor tempo de internação (mediana de 3,0 dias [0-68]) e os menores custos (mediana de R$ 510,83 [23,45 - 111.594,14]), enquanto o vedolizumabe apresentou os maiores custos de hospitalização. As taxas de intervenção cirúrgica foram mais elevadas entre os usuários de tofacitinibe. As hospitalizações não relacionadas à DII sugeriram potenciais eventos adversos aos medicamentos, incluindo distúrbios gastrointestinais, infecções e anemia. Este estudo representa a primeira análise de RWD sobre hospitalizações por RCU no Brasil com o auxílio de IA. Os resultados destacam diferentes impactos das terapias avançadas nas hospitalizações, com tofacitinibe associado a maiores taxas de hospitalização e infliximabe ligado a menores tempos de internação e custos. Essas informações podem subsidiar tomadas de decisão clínica e políticas de saúde. Estudos futuros devem explorar mais profundamente o papel da IA na otimização da pesquisa em RWD e no manejo da RCU.
Cirrhosis is characterized by complications, including hepatic encephalopathy (HE), hepatorenal syndrome (HRS), and acute variceal bleeding, Glucagon-like peptide-1 (GLP-1) analogs, have shown potential benefits in reducing liver inflammation and lowering cirrhosis-related complications. This study aims to provide insights into the effect of GLP-1 therapy on mortality and clinical outcomes in patients with cirrhosis. We conducted a retrospective analysis using TriNetX research network. The cohort comprised patients ≥18 years old with a diagnosis of cirrhosis. Patients who were started on GLP-1 analogs after the diagnosis of cirrhosis were identified. Primary outcomes included all-cause mortality, HE, HRS, and portal hypertensive bleeding. Variables such as age, sex, race, comorbidities (e.g., diabetes, obesity, chronic kidney disease, hypertension), and lifestyle factors underwent 1:1 propensity matching to reduce confounding. Cox proportional hazards regression analysis was utilized to analyze the matched cohorts, and hazard ratios (HR) with 95% confidence intervals. GLP-1 analog use was significantly associated with a reduced risk of several cirrhosis-related complications. Patients treated with GLP-1 analogs exhibited a significantly lower risk of all-cause mortality (HR 0.374, 95%CI 0.359-0.392), HE (HR 0.900, 95%CI 0.843-0.959), and HRS (HR 0.554, 95%CI 0.496-0.619). Additionally, there was reduced rates of portal hypertensive bleeding among GLP-1 users (HR 0.487, 95%CI 0.444-0.533). This study demonstrates that GLP-1 analog use is associated with a significantly lower risk of all-cause mortality and cirrhosis-related complications. Furthermore, the reduced rate of portal hypertensive bleeding might correlate with subsequent decrease in hospitalizations. A cirrose é caracterizada por complicações, incluindo encefalopatia hepática (EH), síndrome hepatorrenal (SHR) e sangramento varicoso agudo. Os análogos do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) têm demonstrado benefícios potenciais na redução da inflamação hepática e na diminuição de complicações relacionadas à cirrose. Este estudo visa fornecer insights sobre o efeito da terapia com GLP-1 na mortalidade e nos desfechos clínicos em pacientes com cirrose. Realizamos uma análise retrospectiva utilizando a rede de pesquisa TriNetX. A coorte incluiu pacientes com ≥18 anos com diagnóstico de cirrose. Foram identificados pacientes que iniciaram análogos de GLP-1 após o diagnóstico de cirrose. Os desfechos primários incluíram mortalidade por todas as causas, EH, SHR e sangramento por hipertensão portal. Variáveis como idade, sexo, raça, comorbidades (por exemplo, diabetes, obesidade, doença renal crônica, hipertensão) e fatores de estilo de vida foram submetidas a pareamento por escore de propensão 1:1 para reduzir confundimento. A regressão de riscos proporcionais de Cox foi utilizada para analisar as coortes pareadas, e foram estimadas razões de risco (HR) com intervalos de confiança de 95%. O uso de análogos de GLP-1 esteve significativamente associado a menor risco de várias complicações relacionadas à cirrose. Pacientes tratados com análogos de GLP-1 apresentaram risco significativamente menor de mortalidade por todas as causas (HR 0,374; IC95%: 0,359-0,392), EH (HR 0,900; IC95%: 0,843-0,959) e SHR (HR 0,554; IC95%: 0,496-0,619). Além disso, houve menor taxa de sangramento por hipertensão portal entre usuários de GLP-1 (HR 0,487; IC95%: 0,444-0,533). Este estudo demonstra que o uso de análogos de GLP-1 está associado a um risco significativamente menor de mortalidade por todas as causas e de complicações relacionadas à cirrose. Além disso, a redução da taxa de sangramento por hipertensão portal pode correlacionar-se com diminuição subsequente de hospitalizações.
Biliary atresia (BA) is the leading cause of cholestatic jaundice in the first months of life. Liver stiffness measurement by shear wave elastography (2D-SWE) could help discriminate BA from other causes of cholestasis. To assess the use of abdominal ultrasound with bidimensional shear wave elastography and liver histology to diagnose Biliary Atresia in cholestatic infants. To compare the use of elastography to estimate the stage of liver fibrosis with the histologic classification. Cholestatic infants younger than three months were divided into BA and non-BA groups (other than neonatal cholestasis). 2D-SWE measured liver stiffness, and fibrosis was measured by Metavir score. Receiver operator characteristic (ROC) curves were developed to assess whether the variables of liver stiffness could be used to identify patients with BA and the best cutoff values. 21 infants with BA and 26 non-BA were included, of which 53,2% were males. The triangular cord was seen in 15/21 (71.4%) of BA and 2/26 (7.7%) non-BA, P<0.0001. The median value of liver stiffness in the first group was 2.7 m/s (IQ 2.1/3.6) and 1.6m/s (IQ 1.2/2) in the second group, P<0.0001. The area under the ROC curve to predict BA was 0.85 (95%CI, 0.74-0.96; P<0.0001). The best cutoff value was 1.99 m/s with sensitivity 81% and specificity 73.1%. Patients with BA classified as F0-2 had mean liver stiffness values by the 2D-SWE of 1.8±0.2m/s, and F3-4, mean values of 3±0.8m/s, P=0.008. Ultrasound and histology contribute to distinguishing BA from other diagnoses. Liver elastography is a promising tool in the differential diagnosis between BA and other causes of cholestasis, allowing the degree of fibrosis to be estimated at diagnosis. Atresia biliar (AB) é a principal causa de icterícia colestática nos primeiros meses de vida. A rigidez hepática avaliada pelo Shear wave elastography (2D-SWE) pode ajudar a discriminar a AB de outras causas de colestase. Avaliar a ultrassonografia abdominal com bidimensional shear wave elastography e histologia hepática em lactentes colestáticos para diagnóstico diferencial entre atresia biliar e outras causas de colestase em lactentes. Avaliar a associação da rigidez hepática por 2D-SWE em comparação à classificação histológica da fibrose. Foram incluídos lactentes de até 3 meses de idade com colestase, divididos em 2 grupos: AB e não-AB (colestase de outras etiologias). Avaliada rigidez hepática por 2D-SWE e fibrose segundo classificação de Metavir. Foram construídas curvas receiver operator characteristic (ROC) para analisar se as variáveis de rigidez hepática poderiam ser utilizadas para identificação de pacientes com AB e os melhores pontos de corte. Foram incluídos 21 lactentes com AB e 26 não-AB, sendo 53,2% do sexo masculino. Cordão triangular foi visto em 15/21 (71,4%) na AB e 2/26 (7,7%) não-AB, P<0,0001. A mediana dos valores de rigidez hepática no primeiro grupo foi de 2,7m/s (IQ 2,1/3,6) e no segundo de 1,6m/s (IQ 1,2/2), P<0,0001. Área sob a curva ROC para a rigidez hepática para predizer AB foi de 0,85 IC95% 0,74-0,96; P<0,0001). O melhor valor de ponto de corte foi de1,99 m/s, com sensibilidade de 81% e especificidade de 73.1%. Pacientes com AB que tiveram classificação F0-2, tiveram média de valores de rigidez hepática por 2D-SWE de 1,8±0,2m/s e os F3-4, média de 3±0,8m/s, P=0,008. Achados ultrassonográficos e histológicos auxiliam na diferenciação de AB e outros diagnósticos. Elastografia hepática é promissora no diagnóstico diferencial entre AB e outras causas de colestase, podendo dimensionar o grau de fibrose ao diagnóstico.
Autoimmune pancreatitis (AIP) is a specific form of pancreatitis that is characterized by obstructive jaundice and sometimes associated with pancreatic masses, lymphoplasmacytic infiltrate and fibrosis, with a marked response to steroids. According to International Consensus Diagnostic Criteria AIP is categorized into type 1, type 2, and not otherwise specified (NOS). AIP-1 is one of the presentations of the IgG4-related disease (IgG4-RD) characterized by lymphoplasmacytic infiltration and more than ten IgG4-positive plasma cells per high-power field (HPF), storiform fibrosis, and obliterative phlebitis. Clinically, IgG4-RD is a systemic disease that can affect all organs. It can affect the bile ducts, kidneys, lymph nodes, prostate, and retroperitoneum. Recognize patients with extra pancreatic manifestation in autoimmune pancreatitis as soon as possible to achieve optimal outcomes. A retrospective comparative study was conducted on the previously hospitalized patients to our main university hospital, during the period from June 2022 till June 2024. It is a retrospective study that was done through revision of the patient clinical, laboratory and imaging including CT/MRI of the abdomen and chest CT of all patients. 60 patients with pancreatitis were enrolled in the study. It was diagnosed based on at least two criteria of the following: (1) typical abdominal pain, (2) elevated amylase and/or lipase greater than 3 times, and (3) radiological findings match with pancreatitis. Cases were divided according to the International Consensus Diagnostic Criteria (ICDC) into group A: Autoimmune pancreatitis (AIP) defined by a specific form of pancreatitis characterized by obstructive jaundice with or without pancreatic masses, lymphoplasmacytic infiltrate and fibrosis (from laparotomy biopsies in suspected pancreatic cancer) and a marked response to steroids. And group B: conventional pancreatitis, with 30 patients in each group. A raised serum IgG4 was found in group A patients ranging from 135.0 mg/dL to 212.0 mg/dL with >95% specificity and sensitivity for AIP. The extra pancreatic associated diseases in AIP candidates, were detected in 23 patients (76.6%). Biliary tree complications were seen at 22 patients (73.3%), non calcular gall bladder disease was detected in 9 patients (30%), renal complications were found in 11 patients (36.6%), irrelevant lymphadenopathy in 10 patients (33.3%), retroperitoneal 3 patients (10%). In group B: there were biliary obstructive in 9 patients (30%), calcular cholecystitis was found in 19 patients (63%), with no other recorded extra pancreatic diseases. Chi square and Fisher Exact tests revealed significant differences between the two groups, as regards the extra pancreatic diseases in association with group A. Type 1 AIP has been associated with several extra pancreatic manifestations determining different clinical outcomes. Therefore, patient monitoring and a multisystem evaluation approach are required. A pancreatite autoimune (PAI) é uma forma específica de pancreatite que se caracteriza por icterícia obstrutiva e, por vezes, associada a massas pancreáticas, infiltrado linfoplasmocitário e fibrose, com resposta acentuada aos corticosteróides. De acordo com os Critérios de Diagnóstico de Consenso Internacional, a AIP é categorizada em tipo 1, tipo 2 e não especificada de outra forma (NOS). AIP-1 é uma das apresentações da doença relacionada à IgG4 (IgG4-RD) caracterizada por infiltração linfoplasmocitária e mais de dez plasmócitos IgG4-positivos por campo de grande aumento (HPF), fibrose estoriforme e flebite obliterativa. Clinicamente, a IgG4-RD é uma doença sistêmica que pode afetar todos os órgãos, incluindo os ductos biliares, rins, gânglios linfáticos, próstata e retroperitônio. Reconhecer pacientes com manifestação extra pancreática na pancreatite autoimune o mais rápido possível para alcançar os melhores resultados. Métodos: Foi realizado um estudo comparativo retrospectivo com pacientes previamente internados em nosso principal hospital universitário, durante o período de junho de 2022 a junho de 2024. Trata-se de um estudo retrospectivo que foi feito por meio de revisão clínica, laboratorial e de imagem do paciente, incluindo TC/RM do abdome e TC de tórax de todos os pacientes. Sessenta pacientes com pancreatite foram incluídos no estudo. Foi diagnosticada com base em pelo menos dois critérios: (1) dor abdominal típica, (2) amilase e/ou lipase elevada maior que 3 vezes e (3) achados radiológicos compatíveis com pancreatite. Os casos foram divididos de acordo com os Critérios Diagnósticos de Consenso Internacional (ICDC) no grupo A: pancreatite autoimune (AIP) definida, por uma forma específica de pancreatite caracterizada por icterícia obstrutiva com ou sem massas pancreáticas, infiltrado linfoplasmocitário e fibrose (de biópsias de laparotomia em suspeita de câncer de pâncreas) e uma resposta acentuada aos esteróides. E grupo B: pancreatite convencional, com 30 pacientes em cada grupo. Um aumento de IgG4 sérica foi encontrado em pacientes do grupo A variando de 135,0 mg/dL a 212,0 mg/dL com especificidade de >95% e sensibilidade para AIP. As doenças associadas extrapancreáticas em candidatos a PAI, foram detectadas em 23 pacientes (76,6%). Complicações da árvore biliar foram observadas em 22 pacientes (73,3%), doença da vesícula biliar não calculada foi detectada em 9 pacientes (30%), complicações renais foram encontradas em 11 pacientes (36,6%), linfadenopatia irrelevante em 10 pacientes (33,3%), retroperitoneal 3 pacientes (10%). No grupo B: havia obstrução biliar em 9 pacientes (30%), calculando colecistite foi encontrada em 19 pacientes (63%), sem outras doenças extrapancreáticas registradas. Os testes qui-quadrado e Exato de Fisher revelaram diferenças significativas entre os dois grupos no que diz respeito às doenças extrapancreáticas em associação com o grupo A. A AIP tipo 1 tem sido associada a várias manifestações extrapancreáticas determinando diferentes desfechos clínicos. Portanto, o monitoramento do paciente e uma abordagem de avaliação multissistêmica são necessários.
Gastroparesis is a delay in gastric emptying without mechanical obstruction, lacking a clear pathophysiological mechanism, but with multiple histological abnormalities, including loss of interstitial cells of Cajal, which may alter slow waves. Slow waves can be assessed by electrogastrography. Objective: This study aimed to determine the prevalence and range of abnormalities in gastric slow waves in children with gastroparesis. We conducted a systematic review and meta-analysis following the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses guidelines (PROSPERO: CRD42023435301). Searches were performed in MEDLINE (PubMed), Embase, LILACS, Web of Science, and the Cochrane Register of Controlled Trials, from inception to September 2023, without language or publication restrictions. We included studies using surface electrogastrography in children (6-18 years) with gastroparesis. Outcomes included the percentage of recording time in normogastria (2-4 cycles per minute), tachygastria, and bradygastria; dominant frequency; power ratio; post-stimulus power change; and dominant frequency instability coefficient. Risk of bias was assessed using the Joanna Briggs Institute tool. Meta-analyses were conducted using random-effects models when appropriate, and heterogeneity was explored via the I² statistic and prediction intervals. When pooling was not feasible, a narrative synthesis was provided. A total of 3730 articles were reviewed, four articles were included, with a total of 70 patients and 15 controls. When compared to controls, gastroparetics had significantly less fasting normogastria (Standardized Mean Difference = -3.363 [95% confidence interval: -4.068 to -2.657]), significantly more fasting tachygastria (Standardized Mean Difference = 3.287 [95% confidence interval: 2.657 to 3.918]), and significantly less power ratio (Standardized Mean Difference = -4.067 [95% confidence interval: -4.791 to -3.343]). Children with gastroparesis during fasting had a lower percentage of normogastria and higher percentage of tachygastria. Children with gastroparesis showed less change in post-stimulus power, reflecting possible alterations in gastric contraction and/or distension. A gastroparesia é um atraso no esvaziamento gástrico sem obstrução mecânica, carecendo de um mecanismo fisiopatológico claramente definido, mas com múltiplas anormalidades histológicas, incluindo a perda das células intersticiais de Cajal, o que pode alterar as ondas lentas gástricas. As ondas lentas podem ser avaliadas por meio da eletrogastrografia. Este estudo teve como objetivo determinar a prevalência e o padrão das anormalidades nas ondas lentas gástricas em crianças com gastroparesia. Foi realizada uma revisão sistemática e meta-análise seguindo as diretrizes PRISMA (PROSPERO: CRD42023435301). As buscas foram feitas nas bases MEDLINE (PubMed), Embase, LILACS, Web of Science e Cochrane Register of Controlled Trials, desde a origem até setembro de 2023, sem restrições de idioma ou tipo de publicação. Foram incluídos estudos com eletrogastrografia de superfície em crianças (6 a 18 anos) com gastroparesia. Os desfechos avaliados incluíram a porcentagem do tempo de registro em normogastria (2-4 ciclos por minuto), taquigastria e bradigastria; frequência dominante; razão de potência (power ratio); alteração de potência pós-estímulo; e coeficiente de instabilidade da frequência dominante. O risco de viés foi avaliado com a ferramenta do Instituto Joanna Briggs. As meta-análises foram conduzidas com modelos de efeitos aleatórios quando apropriado, e a heterogeneidade foi avaliada pelo índice I² e pelos intervalos de predição. Quando não foi possível agrupar os dados, foi realizada síntese narrativa. Um total de 3.730 artigos foi revisado; quatro estudos foram incluídos, totalizando 70 pacientes e 15 controles. Em comparação com os controles, crianças com gastroparesia apresentaram significativamente menos normogastria em jejum (diferença média padronizada = -3,363 [intervalo de confiança de 95%: -4,068 a -2,657]), mais taquigastria em jejum (diferença média padronizada = 3,287 [intervalo de confiança de 95%: 2,657 a 3,918]) e menor razão de potência (diferença média padronizada = -4,067 [intervalo de confiança de 95%: -4,791 a -3,343]). Crianças com gastroparesia em jejum apresentam menor percentual de normogastria e maior percentual de taquigastria. Além disso, demonstram menor variação de potência pós-estímulo, o que reflete possíveis alterações na contração e/ou distensão gástrica.
Intraductal papillary mucinous neoplasms (IPMNs) are the leading cause of incidentally detected pancreatic cysts and exhibit a wide biological spectrum with variable malignant potential. Recent advances in imaging, endoscopic assessment, molecular testing, and artificial intelligence have improved risk stratification and influenced contemporary international guidelines. To synthesize the most recent evidence on the diagnosis, risk stratification, and management of IPMNs, with emphasis on comparing the Fukuoka (2017), European (2018), and Kyoto (2024) guidelines, and on the integration of emerging technologies. A structured narrative review was conducted based on major international clinical guidelines and systematic reviews identified through PubMed/MEDLINE and Embase. Eligible publications in English from 2020 to 2025 addressing clinical, radiologic, molecular, and management-related aspects of IPMNs were included. Diagnosis primarily relies on magnetic resonance imaging and endoscopic ultrasound, supplemented by fine-needle aspiration, molecular analysis of cyst fluid, and emerging tools such as radiomics and artificial intelligence models. International guidelines differ in risk criteria, anatomic thresholds, and recommended surveillance intervals, directly influencing decisions between follow-up and surgical resection. Minimally invasive techniques, including EUS-guided radiofrequency ablation and intralesional chemoablation, are under investigation as alternative options for patients who are not surgical candidates. The management of IPMNs should be individualized and multidimensional, integrating clinical, radiologic, and molecular information within the framework of updated guidelines. Active surveillance is safe for low-risk lesions, whereas surgery remains indicated for patients with high-risk stigmata. Emerging technologies including radiomics, artificial intelligence, and next-generation sequencing, are expected to enhance diagnostic precision and support personalized therapeutic decision-making. RESUMO As neoplasias papilares mucinosas intraductais do pâncreas (IPMNs) constituem a principal causa de cistos pancreáticos detectados por imagem, apresentando amplo espectro biológico e risco variável de progressão maligna. Avanços em métodos de imagem, ultrassonografia endoscópica, biópsia, análise molecular e inteligência artificial têm aperfeiçoado a estratificação de risco e influenciado as diretrizes internacionais. Objetivo: Sintetizar as evidências mais recentes sobre diagnóstico, estratificação de risco e manejo das IPMNs, comparando as recomendações das diretrizes de Fukuoka (2017), Europeias (2018) e Kyoto (2024), com ênfase na incorporação de novas tecnologias. Conduziu-se uma revisão narrativa estruturada da literatura, fundamentada em diretrizes internacionais e revisões sistemáticas identificadas nas bases PubMed/MEDLINE e Embase, publicadas em inglês entre 2020 e 2025. Foram incluídos estudos clínicos, radiológicos e moleculares relevantes para diagnóstico, estratificação de risco e manejo das IPMNs. O diagnóstico baseia-se principalmente em ressonância magnética e ultrassonografia endoscópica, complementadas por punção aspirativa, análise molecular do fluido cístico e ferramentas emergentes como radiômica e modelos de inteligência artificial. As diretrizes internacionais apresentam diferenças quanto aos critérios de risco, limiares anatômicos e intervalos de vigilância, influenciando a decisão entre seguimento e pancreatectomia. Técnicas minimamente invasivas, como ablação por radiofrequência guiada por EUS e quimioablação intralesional, estão em avaliação e podem representar alternativas para pacientes não candidatos à cirurgia. O manejo das IPMNs deve ser individualizado, integrando informações clínicas, radiológicas e moleculares conforme as diretrizes atualizadas. A vigilância é segura para lesões de baixo risco, enquanto a cirurgia permanece indicada para casos com estigmas de alto risco. Tecnologias emergentes incluindo radiômica, inteligência artificial e sequenciamento de nova geração tendem a aprimorar a tomada de decisão e favorecer abordagens mais personalizadas.